Trabalhador volta hoje à rotina com passagem de ônibus mais cara em São Luís

O cidadão ludovicense retorna hoje às suas atividades de rotina, seja no trabalho ou no estudo, com uma passagem de ônibus mais cara em São Luís.

Na semana passada o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) autorizou o aumento do valor da tarifa cobrada ao usuário de transporte público da capital [reveja aqui].

O valor começou a ser cobrado no sábado: R$ 3,40 nas linhas integradas e R$ 2,95 nas linhas não integradas.

É hoje, contudo, que a maior parcela da população começará a sentir os efeitos do aumento no valor pago.

Neste fim de mês, quem paga com o cartão de vale transporte – já com um orçamento mensal pré-estabelecido -, sentirá dificuldade, uma vez que não espera a elevação na cobrança. Da mesma forma aqueles usuários que pagam com dinheiro em espécie.

O aumento da passagem, que penaliza a população, ocorreu em meio a um imbróglio entre empregados das empresas de transporte coletivo e os empresários.

Com salários atrasados, os profissionais haviam feito quatro paralisações de advertência. Os empresário não recuaram e apontaram dificuldades para arcar com os custos.

Edivaldo então, sem qualquer diálogo com a sociedade, impôs o aumento da tarifa e “solucionou” o problema…

Vereador pede na Justiça a anulação do aumento da tarifa de ônibus

Fábio Câmara afirma que aumento foi abusivo

Fábio Câmara afirma que aumento foi abusivo

O presidente da Comissão de Transportes da Câmara Municipal de São Luís, vereador Fábio Câmara (PMDB), ingressou contem com ação popular na Vara de Direitos Difusos, da Justiça Estadual, pedindo a anulação do reajuste das tarifas do transporte público em São Luís. O reajuste concedido pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC) variou de18% a 23%.

Com a ação popular, Fábio Câmara pede que seja decretada a ilegalidade do reajuste e, em caráter liminar, que a tarifa praticada até dia 7 deste mês seja mantida, para evitar prejuízo aos mais de 750 mil usuários do transporte coletivo.

Segundo Câmara, o reajuste é injustificado, já que a projeção da inflação foi de 6,01%, segundo o Banco Central, e o aumento concedido aos rodoviários foi de 7,85%. “Por que será que o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] foi de 6,64% no acumulado para 2014; a projeção de inflação foi de 6,01% para o mesmo período, segundo o Banco Central; o aumento concedido para os rodoviários foi de 7,85% e o prefeito e os empresários cobram do povo mais de 12,5% de aumento na tarifa?”, questionou o vereador.

Outra ilegalidade apontada na ação do peemedebista é o descumprimento da quarta cláusula do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério público, que permitia reajuste na tarifa, em contratos após a licitação das linhas.

Fábio Câmara aponta ainda arbitrariedade no aumento do valor da passagem, justificada pela falência do sistema de transporte. Na ação, é mostrado que na gestão do ex-prefeito Tadeu Palácio os empresários não pagaram ISSQN até a metade da gestão de João Castelo (PSDB), que concedeu novos benefícios que incluíram o aumento da tarifa.

Na administração de Edivaldo, para sanar problemas e melhorar o sistema de transporte, foi concedido subsídio de R$ 2 milhões aos empresários. Mesmo assim a população ainda teve de arcar com o aumento da tarifa de ônibus.

 Informações de O Estado.

Eivaldo propõe aumento da passagem e afunda ainda mais o discurso da mudança

Na campanha de 2012, Edivaldo foi apresentado com a mudança por Flávio Dino

Na campanha de 2012, Edivaldo foi apresentado com a mudança por Flávio Dino

O prefeito eleito com o discurso do novo e da mudança, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), decidiu ceder aos empresários do SET e aumentar a tarifa de ônibus de São Luís em R$ 0,30.

Com o reajuste, já autorizado para domingo, a passagem mais cara na capital chegará a R$ 2,40.

Inerte em meio ao imbróglio que envolve os trabalhadores no sistema rodoviário [motoristas, cobradores e fiscais de ônibus] e o SET, Edivaldo Júnior, o cartaz da mudança anunciada por Flávio Dino (PCdoB), optou por onerar ainda mais a população, e aumentar a receita dos empresários, que exploram há anos o sistema de transporte, mas não conseguem melhorar o atendimento ao usuário.

Um absurdo sob todos os aspectos.

Edivaldo tem muito a explicar a população. Explicar, por exemplo, o real motivo de não realizar a licitação das linhas de ônibus. Explicar o motivo de ter cedido ao SET. Explicar porque chegou a nomear para a SMTT, dentre os quatro comandos efetivados por ele na pasta, duas pessoas ligadas a uma grande empresa rodoviária que atua na capital.

Além de decepcionar o seu eleitor e golpear sem piedade a população com o aumento da passagem – para muitos inexpressivo, mas devastador para aquele pai de família que recebe apenas um salário mínimo, Edivaldo deu mais uma prova de que a mudança proposta pelo seu grupo político está apenas no discurso.

E um discurso já falido, desacreditado e mentiroso.

Cenário incômodo

Terminal do São Cristóvão: caos

Terminal do São Cristóvão: caos

Os movimentos de protesto contra o aumento de tarifas nos transportes coletivos, que levaram milhares de pessoas a enfrentamentos com a Polícia Militar em São Paulo, no Rio de Janeiro, e sábado em Belo Horizonte colocaram o prefeito de São Luís, Edivaldo Júnior (PTC), numa situação no mínimo incômoda.

O motivo: as tarifas nos transportes coletivos de São Luís não são reajustadas há três anos. Desde que o novo governo municipal assumiu, as empresas concessionárias de linhas estão pressionando o prefeito para que as tarifas sejam reajustadas. Eles alegam que a defasagem está emagrecendo as empresas, que já estariam funcionando em situação precária, algumas delas em condição pré-falimentar.

Alegam que não conseguirão por muito tempo suportar as consequências da defasagem. Passam o seguinte prognóstico: se as tarifas não forem reajustadas logo, a maioria das empresas entrará numa situação de colapso, sendo que algumas falirão. Essa situação foi posta na mesa de negociações durante a greve dos rodoviários. Usando uma série de argumentos e recursos, o prefeito conseguiu com que as empresas concedessem aumentos e vantagens a motoristas, cobradores e fiscais sem majorar o preço das passagens.

No primeiro momento, os argumentos funcionaram, mas tanto o prefeito quanto os empresários saíram das negociações conscientes de que os acordos que suspenderam a greve dos rodoviários só retardaram a explosão do estopim. Isso porque, dizem alguns, não há como manter essa situação por muito tempo, o que, traduzindo, significa dizer: o aumento nas tarifas vai sair, cedo ou tarde – para ser mais preciso: mais cedo do que tarde.

Agora, com essa situação de insurgência popular, que criaram um cenário violento, dramático e politicamente perigoso, o prefeito de São Luís terá de encontrar uma saída que contemple as duas partes. Vale aguardar.

Da coluna Estado Maior, de O Estado do Maranhão