Dilma e Serra esquecem de agradecer a Deus

Espaço Fé – crítica

Li um texto interessantíssimo de Robinson Cavalcanti (veja aqui), e refleti sobre questão. Assim como o blogueiro, também percebi que após o resultado das urnas, os candidatos esqueceram-se de um simples detalhe, agradecer a Deus por tudo que havia acontecido até ali. Vale ressaltar que durante a campanha, os dois haviam enveredado para os discursos pró-Cristão e anti-aborto sem realmente convencer o eleitor mais atento. Simples, discreta, mal intencionada e fétida campanha de ambos.

Como afirmou Robinson, eles agradeceram ao povo, às mulheres, a militância, à sogra, ao papagaio, ao periquito, mas a Deus, não!

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            Considero isso como no mínimo cômico, já que Serra se auto-declarou ‘Cristão’ – mesmo após ter orientado sua esposa ao aborto – somente para conseguir mais votos. Durante a campanha ele recebeu até apoio de igrejas evangélicas e de pastores que possuem programas televisivos como o “grande, íntegro e sem interesses políticos” Silas Malafaia. Em São Luís, carros desfilavam com o adesivo “Sou Cristão, voto Serra”, algo que, sinceramente, não consegui entender. Aliás, qual a sua relação em toda a história política com a igreja (seja ela qual for)?

            Dilma também procurou arraiais evangélicos para encontrar refúgio à disputa religiosa-partidária e em alguns estados, recebeu apoio da Assembléia de Deus.

O interessante é que após a apuração dos votos, quando é esperado no mínimo de um verdadeiro cristão, o agradecimento a Deus por tudo aquilo que Ele proveu, não houve a manifestação dos candidatos.

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E agora pastores? E agora igreja? Por onde andam os seguidores de Cristo que tanto vocês defenderam? Por essas e outras que não mudo minha opinião, igreja e política são totalmente diferentes e caminham em lados opostos e ponto final.

 E já está na hora de nós enquanto corpo de Cristo (falo da verdadeira igreja do Senhor, aquela que não se vende, não se corrompe), nos auto-avaliarmos, revermos nossa postura e deixarmos de sermos usados pelo sistema corrupto e corruptível que é a política desse país. Devemos sim orar por nossa nação, por nossos governantes, e votar conscientemente, sem tentar manipular o pensamento e a convicção do outro, respeitando o direito da livre escolha de cada um.

Jornalista sempre, cabo eleitoral jamais

  Do blog de Itevaldo Junior

Guardei uma lição kantiana que define a liberdade como o mais fundamental entre os direitos fundamentais. Tudo que construí até aqui – na minha profissão, nas relações sociais tecidas – foi alicerçada nessa minha garantia de liberdade.

Sou livre quando exerço o jornalismo ao meu modo, e ao meu modo quer dizer que o jornalismo não é profissão que se exerça em nome próprio, e sim por representação da sociedade, a quem pertence a informação.

Sou ainda mais livre quando exerço o meu direito de voto. Nos últimos dias, importunaram um dileto amigo-jornalista, sobre o meu livre direito de votar, e a minha apreensão de que a minha função primária como jornalista é dar aos leitores – do blog e do jornal em que trabalho – a melhor versão da verdade possível de obter.

O voto é a livre manifestação da vontade, neste caso, da minha vontade. Voto pressupõe liberdade.

Compreendo que jornalismo é um bem público. No meu jornalismo não cabe frivolidades. Diante de um assunto interessante, um personagem atraente, um fato que merece ser contado, o Jornalista Nocivo ao Jornalismo saca a caneta e imediatamente pergunta: “Por que publicar?”. Eu pergunto: “POR QUE NÃO”?

Eu apuro – e deixo de apurar – o que quero. Publico – e deixo de publicar – o que desejo. Opino – e deixa de opinar – sobre o que eu bem entendo. Sou livre.

Sou livre quando apuro e escrevo minhas matérias para blog ou as reportagens para o jornal. E sou ainda mais livre para decidir em que eu voto. Essas duas liberdades não se confundem.

Jamais deixaria de exercer livremente o direito de voto, porque trabalho para A ou B; ou porque sou contratado de empresa C ou D. Jamais! Há colegas de profissão que não fazem assim. Eles desejam serem subjugados, dependentes, manietados, encangalhados, enfim.

Tenho e terei sempre muito respeito pelas pessoas com que trabalho ou trabalhei, pelos chefes, pelos donos das empresas. E delas também sempre recebi o mesmo respeito.

Porém, jamais negociarei ou permitirei intervenção no meu direito de votar livremente. De votar em quem eu desejar. Jornalista sempre, cabo eleitoral jamais.

Nos meus 15 anos de jornalismo, jamais coadunei e/ou participei de tropas de choque da intolerância que estão dispostas a exigir a condenação moral de pecadores.

Não sou santo, mas ao ver a lista daqueles que creem ser aqui no Maranhão, estaria eu em péssimas companhias.

Não fiz e faço jornalismo para agradar a este ou aquele. Sempre acreditei no que escrevi e no que escrevo. Tanto aqui no blog, quanto nas reportagens de O Estado. E as fiz com toda a liberdade. E seguirei assim.

No meu pescoço não cabe cangalhas.