Delator afirma ter destinado propina de R$ 400 mil a Flávio Dino

O delator José de Carvalho Filho afirmou ao Ministério Público Federal (MPF) que pagou diretamente ao governador Flávio Dino (PCdoB), em 2010, propina de R$ 400 mil para uso na campanha eleitoral daquele ano.

Em 2010, Dino disputou o Governo do Maranhão contra Roseana Sarney (PMDB) e perdeu o pleito.

Na delação, José de Carvalho afirma que havia participado de reuniões com Flávio Dino, então deputado federal para tratar do Projeto de Lei 2.279/2007 que atribuía segurança jurídica a investimentos do Grupo Odebrecht.

No depoimento, ele afirma que em um dos encontros, Dino teria solicitado ajuda para a campanha eleitoral. “[…] pagamento efetuado no total de R$ 400 mil”. A senha para receber o dinheiro teria sido dada ao próprio parlamentar, afirma o relatório, e a operação foi realizada pelo Setor de Operações Estruturadas e registrada no sistema “Drousys”.

Foi essa delação que resultou no pedido de abertura de inquérito e investigação contra o governador Flávio Dino, já encaminhada para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no bojo da Operação Lava Jato.

 

Sarney afirma que Sérgio Machado mentiu em depoimento

SarneyO Estado – O ex-presidente da República José Sarney afirmou, por meio de nota, nesta quinta-feira(16) que tomou conhecimento por completo da delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e reafirmou que nenhuma das afirmações do delator são verdadeiras. Sarney disse que não recebeu nenhum centavo de Machado e voltou a dizer que mantém a decisão de processá-lo.

Em deleção premiada, Sérgio Machado afirmou ter entregue aproximadamente R$ 20 milhões em propina para José Sarney. Na terça-feira(14), o ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, negou a pressão de Sarney ao afirmar que as declarações não são suficientes para justificar a prisão.

Em sua nota, José Sarney reiterou que nunca discutiu, com Renan Calheiros e Romero Jucá, algum tipo de assunto sobre recursos financeiros. O peemedebista disse também que não teve relação com os filhos de Sérgio Machado. “Não conheço e nem nunca tive qualquer contato com os filhos do senhor Sérgio Machado nem com a pessoa por ele citada”.

Veja a nota José Sarney na íntegra

Só ontem à noite tomei conhecimento da íntegra da delação do senhor Sérgio Machado. Posso assegurar ao povo brasileiro — que já conhece do que ele é capaz — que nela, em relação a mim, não há nenhuma afirmação verdadeira. Nunca recebi das mãos desse senhor nenhum centavo. Nunca discuti com os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá questão relativa a recursos financeiros. Não conheço nem nunca tive qualquer contato com os filhos do senhor Sérgio Machado nem com a pessoa por ele citada.

Fico reconfortado pôr a Constituição que ajudei a fazer ser sábia ao entregar ao Supremo Tribunal Federal a guarda da Constituição, e não à Procuradoria Geral da República.

Mantenho a decisão de processar o senhor Sérgio Machado para esclarecer a verdade e punir o delator. O seu objetivo foi utilizar minha biografia para dar amplitude a sua delação. O das ações cautelares humilhar-me e desrespeitar-me. As raízes desse procedimento estão na política do Maranhão.

José Sarney

Ex-Presidente da República

João Alberto critica crédito dado à delação premiada

Senador João Alberto

Senador João Alberto

O senador João Alberto (PMDB), presidente do Conselho de Ética do Senado Federal, afirmou ontem que as denúncias feitas por delatores terão de ser comprovadas. Ele também disse como agirá em relação aos casos de colegas parlamentares citados na Operação Lava Jato.

“Nós somos lá [no Conselho de Ética] juízes. O juiz não tem esse poder de ir buscar provas. Ele tem que analisar o que chega a ele. Se tiver alguma denúncia no Conselho de Ética e que essa denúncia traga algum documento palpável, com alguma credibilidade, aí sim, nós aceitaremos a denúncia e nomearemos um relator para ir buscar as provas. E quem tiver culpa no cartório que pague pelo seu crime”, declarou.

João Alberto deu as declarações com exclusividade a O Estado e ao blog do Gilberto Léda, que tratou do tema logo cedo.

Ele criticou também o crédito que se tem dado à delação premiada. “Eu não posso nunca comparar a palavra de um senador com a palavra de um cidadão que se diz corrupto, de um réu confesso. No confronto, precisa-se ver o que realmente que tem de documento a esse respeito: a quebra de sigilo bancário, levantamento de bens patrimoniais para se poder chegar a alguma conclusão”, disse.

Para ele, a situação no Congresso Nacional já “esfriou” em relação as denúncias.