Candidatura de Edivaldo já está impugnada?

 Ao ingressar ontem com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), o advogado e ex-juiz Márlon Reis (Rede), provocou, na verdade, a impugnação da candidatura de Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

Isso porque, na ação, além da inelegibilidade, ele pede que seja cassado o registro de candidatura do pedetista.

Questionado pelo titular do blog a respeito do pedido, uma vez que a Justiça Eleitoral sequer abriu prazo para que os candidatos registrem as suas respectivas candidaturas, Márlon explicou a efetividade e o objetivo da ação.

Para o ex-juiz, é provável que a Justiça Eleitoral somente aprecie a matéria após finalizado o período para registro de candidatura. Neste caso, prevê o advogado, Edivaldo já devidamente habilitado para a disputa do pleito, poderá sofrer a cassação do seu registro. E caso eleito, poderá ter o seu diploma negado.

A defesa de Edivaldo tentará desqualificar a ação, mas a expectativa é de que o embate jurídico seja longo…

Outro caminho

marlon reisA decisão do juiz Márlon Reis, de deixar a magistratura para se engajar no direito eleitoral e partidário, não deixa de ser um passo de mais um expoente do Judiciário nos caminhos da política. O hoje governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) tomou a mesma decisão há exatos 10 anos, quando resolveu deixar a Justiça Federal para disputar vaga na Câmara Federal.

Márlon Reis envolveu-se com a política a partir da elaboração da Lei da Ficha Limpa, da qual ele é o autor. Foi nos debates do Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) que ele passou a resgatar a veia política, tornando-se palestrante internacional e uma das referências nos debates sobre as eleições no país.

flavio carrancudoO juiz maranhense faz parte de uma geração que – a exemplo de Flávio Dino – tem forte engajamento político, apesar da exigência de neutralidade da carreira judicante. Há outros como ele, como o hoje desembargador federal Ney de Barros Bello; o juiz federal José Carlos Madeira e diversos outros membros do Judiciário, do Ministério Público e da OAB-MA com forte verve para o embate político e partidário.

Na sua escolha partidária – embora não tenha declarado abertamente a militância –, Márlon Reis optou por um lado oposto ao de Flávio Dino no espectro político. Ele vai ser consultor jurídico e militante no Rede Sustentabilidade, partido da ex-candidata a presidente Marina Silva.

Ao contrário de Dino, o criador da Ficha Limpa não sai da magistratura para entrar diretamente na disputa eleitoral. Mas não se descarta que ele possa figurar entre as opções do eleitorado já nas eleições de 2018. Como candidato no Maranhão ou mesmo em âmbito nacional. São dois anos para que isso possa ficar claro.

Ex-ministro
Além de Flávio Dino, em 2006, o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça, Edison Vidigal, também trocou a toga pela batalha política.

Ele foi candidato a governador pelo PSB, no chamado “consórcio de candidatos” criado pelo então governador José Reinaldo Tavares (PSB).

Vidigal não conseguiu se eleger e, a partir daí, deixou o cenário político, perdendo eleições em 2010 e não se candidatando em 2014.

Da coluna Estado Maior, de O Estado do Maranhão