A repercussão nacional desastrosa da entrevista de Flávio Dino à Folha

Foi desastrosa, voraz e absolutamente negativa, a repercussão nacional da entrevista concedida pelo governador Flávio Dino (PCdoB) ao jornal Folha de S. Paulo, publicada na edição da última segunda-feira.

Jornalistas da rádio Jovem Pan e do site O Antagonista – um dos mais conceituados de Brasília -, para ficar apenas nesses dois exemplos, ridicularizaram Flávio Dino.

Para definir o comunista católico do Maranhão, os analistas políticos utilizaram termos como “malandro de quinta categoria”, “mentiroso”, “sem-vergonha”, “mais um da linhagem do Renan Calheiros” e “penico público”.

 

Motivo: o oportunismo de Flávio Dino na defesa do ex-presidente da República Lula (PT) [vale lembrar que Dino formou chapa majortiária com o PSDB para se eleger governador]; as críticas ao Judiciário e à condução da Lava Jato; a defesa do Comunismo e a tentativa de criar a dicotomia na política maranhense entre ele e o grupo Sarney.

As críticas foram tão ácidas, tão fortes, que restou outra saída, a não ser atacar a imprensa – mais uma vez -, em seu perfil em rede social.

Wellington cobra informações sobre obra do Beira-Rio em Imperatriz

O deputado estadual Wellington do Curso (PP) protocolou ofício junto ao Governo do Maranhão para cobrar explicações a respeito da obra de readaptação do Beira-Rio, na cidade de Imperatriz.

No ofício, o parlamentar solicita cópias dos contratos de reforma da praça, o processo administrativo vinculado ao contrato, o processo de licitação da obra, cópia das notas fiscais, além da palhinha de custo dos serviços executados.

Além disso, o parlamentar solicita que sejam encaminhadas cópias de todos os projetos arquitetônicos e estruturais e as razões de sua modificação, todas discriminadas financeiramente.

Gastos com a Comunicação somam R$ 14 milhões a mais do que o previsto no MA

O Estado – Os gastos do governo Flávio Dino (PCdoB) com comunicação em 2017 ultrapassaram em R$ 14 milhões o valor que previamente estabelecido na Lei Orçamentária Anual (LOA). Os dados levam em conta apenas as despesas da Secretaria de Estado da Comunicação e Assuntos Político (Secap), da gestão comunista, excluídos os gastos de outras pastas com propaganda.

Segundo o Orçamento de 2017 aprovado pela Assembleia Legislativa no fim do ano de 2016, a Secap teria à disposição R$ 58,9 milhões.

Até a tarde de ontem, contudo, o Portal da Transparência do Executivo estadual apontava que a pasta já havia efetuado R$ 72,9 milhões em pagamentos a fornecedores e servidores. Outros R$ 8,5 milhões ainda estão empenhados e podem ser pagos com recursos do orçamento atual, o que faz subir R$ 81,4 milhões o orçamento total da comunicação comunista neste ano.

Os gastos extra da comunicação de Flávio Dino em 2017 podem ser um prenúncio do que pode ocorrer em 2018, ano eleitoral, quando o governador tentará a reeleição. O desrespeito ao orçamento – e a necessidade de suplementações – tem sido uma tônica na atual gestão.

Em 2016, por exemplo, a Lei Orçamentária aprovada pelos deputados um ano antes previa despesas da ordem de R$ 43,8 milhões – o total executado, no entanto, chegou a R$ 66,7 milhões.

Já para 2018, a LOA aprovada na semana passada prevê que Secap terá R$ 61,9 milhões à disposição.

Se levada em consideração a prática recente do Executivo, esse valor deve passar da casa dos R$ 80 milhões, a partir da edição de decretos autorizando créditos suplementares, como já ocorreu nos últimos dois anos.

Intocável – Durante a votação da LOA pela Assembleia Legislativa, o Orçamento para Comunicação mostrou-se intocável.

Uma série de destaques apresentados pela oposição durante a apreciação da proposta, retirando parte do superorçamento da Comunicação para outras áreas, foi barrada pela tropa de choque governista.

O deputado Eduardo Braide (PMN), por exemplo, viu ser rejeitada uma emenda de R$ 5 milhões que deveria ser remanejada da Secap para a conclusão do Hospital do Criança.

“Esse hospital que só serviu para ser utilizado na televisão, para mostrar e enganar o povo da capital do Estado que ele seria entregue no final do ano passado. Um ano se passou e nada aconteceu em relação ao Hospital da Criança. Tivemos a oportunidade de corrigir essa injustiça quando destinamos R$ 5 milhões, que seriam utilizados na propaganda enganosa do Governo do Estado no ano que vem, para o Hospital da Criança. Mas, infelizmente, o governo mandou e a base acabou rejeitando essa emenda”, destacou.

Outra emenda, de R$ 1,8 milhão, para Unidade de Segurança Cidadã de Timon, também foi vetada. Novamente, o recurso sairia da comunicação.

Já o deputado Wellington do Curso (PP), propôs uma redução de R$ 20 milhões no orçamento da pasta de comunicação. Todas as emendas do progressista, no entanto, foram rejeitadas. Algumas delas, que totalizavam R$ 6 milhões, garantiriam reforço ao orçamento da Secretaria de Estado da Mulher.

O parlamentar ainda tentou mandar R$ 2 milhões para a Secretaria de Estado da Cultura e Turismo (Sectur) e outros R$ 10 milhões para a Secretaria de Estado do Esporte e Lazer (Sedel).

Desprezo e humilhação

O governador comunista Flávio Dino mostra, a cada movimentação ou discurso político, um distanciamento cada vez maior do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB), atual deputado federal que sonha ser o seu candidato a senador.

As declarações de Dino sobre o assunto – ele já escolheu o também deputado Weverton Rocha (PDT) para a primeira vaga – mostram que Tavares não é, nem de longe, o preferido para a segunda vaga.

A postura de desprezo de Dino em relação ao ex-governador – que foi o responsável pela inserção do comunista na vida pública, ao bancar sua eleição a deputado federal em 2006 – chega a ser até humilhante.

Na lista de candidatos de Dino há outros dois deputados federais postulantes à vaga de senador: Eliziane Gama (PPS) e Waldir Maranhão (Avante).

Em condições normais de gratidão e articulação, natural que o governador já tivesse se posicionado favorável ao seu padrinho, com maior cabedal eleitoral do que os dois. Mas Dino prefere silenciar, alimentando o sonho de todos, num processo de humilhação que nem o maior inimigo do governador mereceria.

Diante do desprezo de Flávio Dino, José Reinaldo apelou para o DEM, que chegou a trazer seu presidente nacional, Rodrigo Maia, para dizer ao governador que a legenda só coligaria com o PCdoB com a condição de ter Tavares – que ainda continua no PSB – na chapa senatorial.

Mesmo diante da pressão do DEM o comunista manteve-se calado em relação à vaga. Mas, sem ter para onde ir, José Reinaldo prefere manter-se à espera de uma decisão.

Da coluna Estado Maior, de O Estado do Maranhão

PT oficializa pré-candidatura de Marcio Jardim ao Senado

O comando nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) tomou uma decisão que deve ter desagradado o governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB).

A legenda oficializou a pré-candidatura de Marcio Jardim ao Senado. Jardim foi demitido por Flávio Dino da Secretaria de Estado de Esportes há pouco mais de dois meses.

Chateado pela forma pela qual foi demitido do Executivo e insatisfeito com a situação do PT na atual administração, Jardim buscou uma articulação em Brasília para contrapor Dino. E parece que deu certo.

Natural candidato à reeleição, Dino terá dois nomes governistas para a disputa do Senado. E tudo indica, Weverton Rocha (PDT) e Zé Reinaldo Tavares.

Com uma articulação para que a vaga de vice continue com Carlos Brandão, agora no PRB, o comunista deixaria, nesse contexto, o PT sem qualquer espaço na sua chapa para a disputa eleitoral de 2018.

Com a pré-candidatura de Jardim e um posicionamento mais firme do PT, que serviu no passado, Dino terá de repensar a sua estratégia.

Superintendente da PF rebate críticas do Governo Flávio Dino

Foto de Paulo Soares, de O Estado do Maranhão

O Estado – A nova superintendente da Polícia Federal no Maranhão, delegada Cassandra Parazi, rebateu ontem – ao tomar posse oficialmente no cargo – as críticas do governador Flávio Dino (PCdoB) e de aliados do Palácio dos Leões à Operação Pegadores, que revelou desvios de, pelo menos, R$ 18 milhões na Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Após a deflagração da ação policial, o próprio chefe do Executivo e setores do comunismo local atribuíram as investigações a perseguição política.

Segundo Parazi, a reação dos governistas não tem razão de ser. “Infelizmente o governo acredita que nós fizemos uma perseguição política. Não é isso o que fazemos. A Polícia Federal tem como função precípua investigar fatos”, disse ela, em entrevista a O Estado após a solenidade de posse.

De acordo com a nova comandante da PF no estado, o fato de apuração ter atingido membros da gestão comunista tem relação apenas com as ações praticadas por cada um dos acusados.

“Nós chegamos a pessoas e a determinadas funções de governo, posições de destaque, por conta dos fatos em que as pessoas estão envolvidas. Nós apuramos fatos, se as pessoas praticaram crimes, infelizmente elas vão responder pelos fatos”, completou.

Competência – Cassandra Parazi também comentou o fato de que o governo, por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), arguiu a incompetência dos federais para investigar o desvios de recursos públicos da Saúde do Maranhão. Em documento encaminhado à juíza do caso, Paula Souza Moraes, substituta da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal no Maranhão, a PGE alega que as verbas desviadas seriam do Tesouro Estadual e não oriundas da União.

A O Estado, a superintendente declarou que quem demandou a investigação por parte da PF foi o Ministério Público Federal (MPF) e acrescentou que a alegação do Executivo sobre a competência para investigar o caso será decidida pela Justiça Federal.

“Na verdade nós fomos demandados pelo Ministério Público Federal a apurar esses fatos. No curso das investigações, o Governo do Estado tem destacado que não há desvio de recursos federais, mas isso certamente vai ser decidido pela Justiça, pelo Tribunal [Regional Federal], que vai definir a competência de quem vai julgar esses fatos lá na sequência, na ação penal”

Perfil – A delegada Cassandra Ferreira Alves Parazi é natural de Londrina (PR). Ingressou na Polícia Federal em 2002, com primeira lotação na Superintendência de Polícia Federal em São Paulo. No ano de 2003 foi removida para a Delegacia de Polícia Federal em Maringá, onde permaneceu lotada por aproximadamente cinco anos, período em que se destacou na coordenação e execução de importantes operações policiais das áreas de repressão a crimes fazendários, contra a Previdência Social e contra a Administração Pública.

Em 2008 aderiu e foi contemplada em recrutamento promovido pela Direção de Gestão de Pessoal e foi removida para a Superintendência de Polícia Federal no Acre, onde presidiu diversos Procedimentos Administrativos Disciplinares, acumulando a chefia da Delegacia de Repressão a Crimes Ambientais e contra o Patrimônio Histórico, o que lhe permitiu representar a Polícia Federal em dois eventos internacionais de relevância ambiental à Amazônia realizados nas cidades de Iquitos e Cuzco, no Peru. Na sequência, assumiu a Corregedoria Regional no Acre, onde permaneceu por aproximadamente um ano.

Retornou ao estado natal em 2010, sendo lotada inicialmente no Núcleo de Correições e, na sequência, na então Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, hoje conhecida como Delegacia de Repressão ao Crime Organizado.

Em 2012 retornou à área de corregedoria, quando assumiu a Corregedoria Regional no Estado do Rio Grande do Norte, cargo que ocupou até início de 2015, quando voltou à Superintendência do Paraná e foi novamente designada como chefe do Núcleo de Correições até receber o honroso convite para assumir a Superintendência Regional do Estado do Maranhão.

ADPF manifesta apoio a novo comando

O diretor regional da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), delegado Luís André Almeida, participou da solenidade de posse da superintendente da PF no Maranhão, Cassandra Parazi, e manifestou apoio dos delegados à nova comandante.

“A chegada de um superintendente sempre inicia um novo ciclo na Polícia Federal no estado. Nós esperamos que seja um ciclo ainda mais virtuoso, com efetivo combate à corrupção, à criminalidade organizada, aos crimes contra o meio ambiente, aos crimes contra o patrimônio. A delegada Cassandra é extremamente qualificada e todo o efetivo de delegados do Maranhão apoia a administração da nossa nova superintendente”, declarou.

Ao transmitir o cargo, o ex-superintendente do órgão no Maranhão, delegado Alexandre Saraiva – que assumirá o posto de superintendente no Amazonas –, apontou para uma gestão ainda mais dura no combate à corrupção.

Citando trechos do Sermão de Santo Antônio aos Peixes – que deu nome à Operação Sermão aos Peixes -, ele ressaltou que o “sal da terra é o que combate à corrupção”. E arrematou: “Com a delegada Cassandra, esse sal será ainda mais salgado”.

Produtores se unem e pagam por recuperação de estrada no sul do MA

A Associação Maranhense dos Produtores de Algodão (Amapa) realizou a entrega de um serviço de recuperação de uma rodovia estadual e contempla 30 quilômetros de extensão da via.

Outros 20 quilômetros já haviam sido entregues no ano passado.

A iniciativa se deu após os produtores cansarem de esperar pela iniciativa do Governo Flávio Dino (PCdoB), na recuperação da estrada que integra o chamado Anel da Soja.

Ao longo de quatro meses, a obra custou em média R$ 25 mil por quilômetro recuperado.

“Fizemos um orçamento em cima de hora/máquina, com despesas, alimentação e alojamento de funcionários. Fizemos o mínimo possível”, disse o produtor Idone Grolli.

A pista tem 12 metros de largura, uma camada de 60 cm de cascalho e canaletas para escoar a água das chuvas.

“Ano passdo a gente levantou 20 quilômetros, esse ano estamos entregando mais 30 quilômetros, e a ideia é ir avançando ao longo dos anos nessa qualidade de estrada até chegar a vez do poder público complementar o trabalho de base, que é asfaltar a estrada”, afirmou o caminhoneiro Rubens Paiva.

“Nós produtores rurais já estamos cansados de promessa”, afirmou Wellington Nascimento, coordenador da associação.

Por meio de nota, a Sinfra informou que das três etapas que compõem o anel da soja, vai entregar nos próximos dias o primeiro trecho da obra.

A reportagem completa foi veiculada no Hora 1, da TV Globo.

Governistas em disputa pelo Senado

A definição do governador Flávio Dino (PCdoB) pelo apoio ao deputado federal Weverton Rocha (PDT) como sua primeira opção de pré-candidato a senador nas eleições de 2018 – declaração oficial do comunista a favor do pedetista foi dada há dez dias, em evento do PDT -, acirrou a disputa entre outros aliados pela indicação ao segundo posto na chapa majoritária governista.

No ano que vem haverá eleição de dois senadores e, no Maranhão, após o apoio formal de Dino a Weverton, intensificaram as agendas políticas os deputados federais José Reinaldo Tavares (ainda no PSB) e Eliziane Gama (PPS), ambos também pretensos candidatos ao Senado.

No sábado, 9, Gama reuniu-se com jornalistas em São Luís e garantiu que sua pré-candidatura é “irreversível”. Ela garantiu que segue em conversas com o governador, mesmo após notícias dando conta de que ele teria definido Zé Reinaldo como seu segundo candidato.

“Aqueles que falam em distanciamento de Flávio Dino desconhecem minha aproximação política com o governador em diversos momentos. Ele continuará contando com meu apoio”, disse.

A parlamentar também mandou uma espécie de recado a Weverton Rocha, ao citar “grandes estruturas de campanha”. O pedetista é quem tem mobilizado maior militância, em eventos por todo o estado, para reforçar seu projeto.

“Estamos firmes nesta meta, principalmente por corresponder às expectativas. Não vou me acovardar diante das grandes estruturas de campanha que turvam as escolhas do eleitorado”, declarou Eliziane.

Suplência – Tratado como prioridade no DEM – partido para o qual deve migrar assim que oficializar sua saída do PSB -, Zé Reinaldo já trabalha na montagem da sua chapa própria.

Ontem ele esteve em Teresina, na residência do empresário Dedé Macedo (PDT). Na ocasião, fechou-se questão sobre dois pontos: o apoio da família do pedetista à pré-candidatura do parlamentar em troca de uma vaga de primeiro suplente.

O mais cotado para o posto é Hernando Macedo, ex-prefeito de Dom Pedro, mas não se descarta o nome do próprio empresário como companheiro de chapa.

Acompanharam o encontro o suplente de deputado estadual Rafael Leitoae o ex-deputado Chico Leitoa, ambos também do PDT.

Dedé Macedotem fortes ligações com o próprio governador Flávio Dino e ganhou notoriedade nas eleições de 2014, quando foi um dos principais financiadores da campanha.

De O Estado.

PGE diz que PF não tem competência para investigar Governo Flávio Dino

O governo Flávio Dino (PCdoB), por meio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), arguiu há duas semanas a suposta incompetência da Polícia Federal para investigar o desvios de recursos públicos da Saúde do Maranhão na Operação Pegadores.

Segundo a apuração inicial, o pagamento de funcionários fantasmas e de salários “extras” a indicados do alto escalão governista já consumiu, pelo menos, R$ 18 milhões em verbas que deveriam estar sendo aplicadas, desde 2015, na manutenção de hospitais estaduais.

Em documento encaminhado à juíza do caso, Paula Souza Moraes, substituta da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal no Maranhão, uma semana após a deflagração da ação policial, a procuradora-geral adjunta do Estado, Maria Cristina Pinheiro, defendeu que a PF não poderia ter investigado os desvios no Governo do Maranhão.

Alega a representante do governo Flávio Dino que as verbas desviadas seriam do Tesouro Estadual e não oriundas da União, o que anularia a competência dos federais para entrar no caso. Diz a PGE, ainda, que a investigação da PF pode ser anulada por conta disso.

“Conforme Nota Técnica elaborada pela Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Maranhão, é possível constatar que os recursos públicos destinados ao sistema estadual de saúde entre os anos de 2015 e 2017, e que teriam sido supostamente desviados pelas condutas apontada no bojo da operação de investigação em curso, são compostos por verbas integrantes do tesouro estadual, […] o que atrai a atuação dos órgãos e agentes integrantes do sistema estadual de Justiça, sob pena de vir a ser suscitada nulidade dos atos apuratórios e judiciais até agora praticados”, alega o governo.

O argumento do Palácio dos Leões vai de encontro ao que diz o delegado do caso, Wedson Cajé, na representação encaminhada à Justiça Federal e que embasou a prisão de 17 pessoas envolvidas no esquema, a maioria pertencente aos quadros do Executivo.

Segundo a autoridade policial, os recursos desviados eram oriundos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e o “modus operandi” foi mantido mesmo após uma licitação de Oscips realizada no início da atual gestão, que, segundo a PF, foi “viciado”.

“Para a gestão das unidades hospitalares, essas entidades do denominado terceiro setor recebiam e geriam verbas públicas oriundas, principalmente, do Fundo Nacional de Saúde, que eram repassadas para o Fundo Estadual de Saúde, por sua vez administrado pela Secretaria Estadual de Saúde. […] Apesar da mudança de governo, a investigação verificou que o modus operandi utilizado para o desvio de verbas públicas continuava em pleno funcionamento e surgiram fortes indícios de que o procedimento licitatório que fora aberto estaria viciado a fim de atender a determinados grupos empresariais”, afirma Cajé.

Ameaça – O expediente da PGE – que foi encaminhado, também, ao Ministério Público Federal (MPF), à própria PF e à Controladoria-Geral da União (CGU) – contém, ainda, uma espécie de ameaça aos investigadores e ao resultado da Operação Pegadores.

“Caso alguma investigação se inicie ou prossiga sob o impulso de autoridades incompetentes, pode haver a declaração de nulidade de todas as provas colhidas, segundo a teoria dos frutos da árvore envenenada, o que só retarda a efetiva apuração dos fatos e a punição dos responsáveis. Se autoridades federais pudessem investigar bens e serviços estaduais, haveria uma clandestina intervenção federal, vetada pela Constituição”, diz o documento.

Apesar disso, a PGE garante que o objetivo da nota técnica é evitar prejuízos à investigação e garantir a apuração dos desvios.

“A definição das atribuições, competências e colaborações entre os sistemas federal e estadual de Justiça será relevante para fixar o ressarcimento ao erário. Em se tratando de recursos estaduais, perfeitamente identificados e sem qualquer origem ou vinculação federal, é impossível cogitar eventual devolução dos valores desviados à União, sob pena de caracterizar enriquecimento sem causa”, avisa.

Deputada tenta coagir diretora de UPA a assinar folha de servidora

Em meio ao escândalo de desvio de recursos da Saúde do Maranhão para pagamento de funcionários fantasmas e de salários “extras” a indicados do alto escalão do governo Flávio Dino – segundo aponta a Polícia Federal -, a deputada Ana do Gás (PCdoB), da base governista na Assembleia Legislativa, foi flagrada tentando coagir a diretora da UPA do Parque Vitória, Camila Maia, a assinar a folha de ponto de uma servidora da unidade.

A funcionária é irmã da parlamentar e, de acordo com relato da gestora da unidade, não aparecia para trabalhar até a instituição do ponto e, agora, cumpre apenas 4h de expediente. O caso foi todo registrado em vídeo.

“Eu só sei te dizer que eu não vou me corromper […]. Eu não vou assinar uma folha de uma pessoa que não comparece. Depois que eu comecei a assumir, foi que você vem, você faz o seu horário das 8h às 11h. Depois que o ponto apareceu, foi que ele fica até 12h. E conversou comigo, Camila eu não tenho condições…”, diz Camila Maia no vídeo.

A deputada, então, faz uma espécie de ameaça velada e sugere que pode haver outros casos de funcionários que não cumprem horário na unidade.

“Nós temos que ter cuidado, Camila, sabe por quê? Porque pode acontecer de outras pessoas que você encobre aqui também não estar vindo. Porque nós vamos monitorar, também, da mesma forma que você está cobrando dela, que ela tem que cumprir com seus deveres e cada um cumprir com os seus deveres. E isso a gente vai resolver”, rebateu a parlamentar.

Ana do Gás ainda diz que acionará o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, para resolver a questão.

“Você pode falar o que você quiser. Vamos ao que interessa. Eu vou lá para a Secretaria [de Saúde] e vou pedir para o secretário lhe mandar um documento. Você quer que publique esse documento?”, questiona Ana do Gás, aparentemente referindo-se a alguma ordem para validar o ponto da servidora.

“Se ele me mandar aqui um documento, não tem problema nenhum. Eu só não quero me corromper”, responde a diretora.

Procuradas por O Estado, nem Ana do Gás, nem Camila Maia comentaram o episódio. O secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, confirmou que a servidora em questão é irmã da parlamentar, e que ela é concursada do Estado “há 23 anos”. Disse, ainda, que “não é verdade” que a servidora não comparecia ao local de trabalho.

De O Estado

A crise institucional no Governo do Maranhão

Viatura da Polícia Federal durante a operação de busca e apreensão na Secretaria de Estado da Saúde, no bojo da Operação Pegadores

Desde a deflagração da Operação Pegadores, da Polícia Federal (PF), que apontou a atuação de uma organização criminosa na estrutura da Secretaria de Estado da Saúde e desvios de mais de R$ 18 milhões dos cofres públicos, o Governo do Maranhão tem sentido o peso de uma crise institucional.

A prisão de funcionários da SES e até de uma ex-secretária-adjunto [Rosângela Curado], provocou constrangimento ao governador Flávio Dino (PCdoB) e destruiu o discurso da mudança, tão alardeado durante a campanha eleitoral de 2014.

A Polícia Federal, a Controladoria Geral da União, a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF) não deixaram dúvidas à Justiça: houve crimes e desvios de vultuosos valores da Saúde durante a gestão comunista.

E não há o que apontar para a oposição em relação a isso.

A negociação para a contratação de empresas, a utilização de empresas de fachada, o pagamento de propina, a liberação de supersalários para apadrinhados políticos e o uso de “funcionários fantasmas” como modalidade de desvio de recursos, foram algumas das acusações feitas pela PF à Justiça Federal, com farta documentação e provas entregues junto à representação.

A crise que se instalou na atual gestão deixaram constrangidos também aqueles que tanto defenderam a moralidade e a transparência no serviço público.

Afinal, como apontou a Polícia Federal durante a Operação Pegadores, moralidade e transparência foi justamente o que não houve na Saúde.