Duas mortes registradas em Pedrinhas após resgate de presos

A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap), confirmou, por meio de nota, duas mortes de presos no episódio de ontem à noite, que resultou também na fuga de 24 detentos, após explosão de um muro do Centro de Detenção Provisória (CDP), de Pedrinhas.

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A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informa que na noite deste domingo (21) houve uma fuga da Unidade Prisional de Ressocialização de São Luís 6 (UPSL 6), antigo CDP. Seis detentos foram recapturados, 24 permanecem foragidos e dois internos morreram, após imediata resposta do Grupo Especial de Operações Penitenciárias (Geop), que controlou a situação no local.

A fuga se deu depois que parte do muro da unidade prisional foi explodido pelo lado de fora, por pessoas ainda não identificadas, e detentos de duas celas do Pavilhão Gama, que serraram as grades e conseguiram passar pelo buraco causado pela explosão.

Após troca de tiros entre bandidos e agentes penitenciários do Geop de plantão, dois internos vieram a óbito, um no local e outro no hospital. Policiais civis e militares também foram acionados, e seguem no encalço dos evadidos.

A gestão prisional ressalta que, por estar separada do Complexo Penitenciário de São Luís, a UPSL 6 é a única unidade prisional masculina que ainda não dispõe de Portaria Unificada e inspeção por BodyScan, a exemplo das demais que compõe o complexo carcerário.

O caso é investigado pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), por meio do Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO) da Superintendência de Estado de Investigações Criminais (Seic), que terá 30 dias para a conclusão do inquérito policial.

Nos últimos dois anos, o Governo do Estado investiu forte na segurança e na revitalização do complexo, e conseguiu zerar o número de homicídios intramuros, tirando o Maranhão do topo para último no ranking que mede a taxa de violência nos presídios do país.

A caixa preta de Pedrinhas

Bandido abriu buraco em muro e facilitou a fuga de 36

Bandido abriu buraco em muro e facilitou a fuga de 36

Na semana passada, uma ação ousada de bandidos, resultou na fuga em massa de detentos [36 ao todo] do Centro de Detenção Provisória (CDP), o Cadeião, do Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Os bandidos utilizaram uma caçamba para derrubar parte do muro do presídio e assim facilitar a fuga dos criminosos que ainda aguardavam julgamento. Na segunda-feira foi preso em seu próprio gabinete, acusado de facilitar a fuga de presos – neste caso, assaltantes de banco -, o diretor de um dos presídios de Pedrinhas, Cláudio Henrique Bezerra Barcelos. Barcelos recebia propina para liberar os custodiados daquela casa.

No caso da fuga em massa, com a utilização de uma caçamba, vale ressaltar que as câmeras de segurança externa, instaladas no pátio do presídio, não estavam funcionando após ter ocorrido uma espécie de “curto-circuito”, que está sendo investigado. O criminoso que roubou o veículo e abriu um buraco no muro do presídio, portava arma de fogo e um colete da Polícia Civil.

Barcelos foi preso após facilitar a fuga de presos

Barcelos foi preso após facilitar a fuga de presos

Na madrugada de hoje, nova fuga foi registrada no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, desta vez no Presídio São Luís I. Os presos cavaram um túnel dentro de uma cela e conseguiram escapar sem serem incomodados. A foto mostra uma montanha gigantesca de terra acumulada na cela, mas que parece não ter sido vista por nenhum monitor ou agente penitenciário. Até o momento, não há dados de quantos fugiram somente hoje.

Terra ficou acumulada após túnel ter sido escavado

Terra ficou acumulada após túnel ter sido escavado

São fatos preocupantes e que atestam que há algo de muito estranho nisso tudo. A prisão de Barcelos já foi prova o suficiente de que agentes de segurança pública estão por traz de pelo menos uma dessas ações. Ou seja, há sim a conivência no setor.

É impossível crer que ninguém viu o acumulo gigantesco de terra na cela do Presídio São Luís I. Esse túnel não foi elaborado de uma hora para outra, deve ter sido iniciado antes mesmo do caso da caçamba, e com certeza antes da prisão de Barcelos. Mesmo assim, ninguém viu ou ouviu nada. Ou é muita falta de competência ou negligência dos agentes públicos e da administração penitenciária do Maranhão.

Enquanto isso, aumenta-se o clima de terror na capital e o Maranhão ganha novamente destaque negativo na mídia nacional.

E as eleições se aproximam. Há alguma relação nisso tudo?

As intermináveis notas da Sejap

Túnel por onde presos fugirem em Pedrinhas

Túnel por onde presos fugiram em Pedrinhas

Se há uma secretaria dentro da estrutura do Governo do Estado que mais se propõe a emitir “Notas de Esclarecimento”, na atual administração, esta é a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap).

É quase que semanal o informativo da pasta, para explicar fugas de presos de Justiça do frágil e precário Sistema Penitenciário do Maranhão.

A última, encaminhada ontem aos emails de veículos de imprensa, jornalistas e blogueiros, informava a fuga de oito detentos por um túnel, da Unidade Prisional de Ressocialização de Davinópolis.

Há uma semana a mesma Sejap tentou explicar a fuga de outros 15 detentos do Centro de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ) de Pedrinhas, também por meio de túnel feito da cela 5 até a área externa do presídio.

Na ocasião, a Sejap informou que investigaria se houve eventual facilitação para os detentos. Nada foi explicado até o momento. E enquanto isso, continuam sendo elaboradas pela assessoria da pasta, notas e mais notas.

O secretário da Sejap, delegado Sebastião Uchôa, já não deve ter mais explicação para tanta fuga. Afinal, a Sejap é de longe a pasta que cuida da área que mais carece de estrutura e intervenções emergenciais do Poder Público. E se não há estrutura, pouco se pode fazer, seja o secretário quem for.

O fato inegável é que preso de Justiça deve permanecer atrás das grades. Mas se ele consegue sair de uma unidade prisional sem que tenha sido solto pela própria Justiça, é prova de que algo está errado, muito errado…