Murad lamenta morte de pacientes em tratamento de hemodiálise no MA

O secretário de Estado da Saúde, Ricardo Murad (PRP), utilizou o seu perfil em rede social para lamentar a morte de pacientes que estavam em tratamento de hemodiálise no Maranhão.

Na sexta-feira (26), o aposentado Raimundo Borges morreu no Hospital Municipal Dr. Clementino Moura, o Socorrão II, por complicações da doença. Ele morava na cidade de Pinheiro e dependia do tratamento na capital, distante 341 quilômetros. Em 2017, já havia manifestado à imprensa que estava cansado do sofrimento para conseguir atendimento adequado.

Comovido com a situação dos pacientes, Murad publicou uma mensagem às famílias das pessoas que precisam do tratamento de hemodiálise.

Ele lembrou que deixou projetos de construção das unidades de tratamento, todos prontos, e lamentou o fato de a atual gestão do Governo do Estado não ter concluído as obras.

“Passaram-se mais de três anos e o governo comunista não teve competência para resolver os problemas que alega ter para levar adiante esses centros. Se foi problema no projeto, porque nesse tempo todo não resolveu? Se foi por causa das adequações para atender a Vigilância Sanitária, porque, mesmo assistindo todos os dias as pessoas morrerem nessas longas viagens, nesses mais de três anos, não sanaram esses problemas?”, questionou.

Murad afirmou que conhece o sistema, e que tem condições de colocá-lo em funcionamento.

“Pois, eu afirmo que os sete centros vão iniciar o atendimento em agosto de 2019 e em dezembro de 2019, o HCM estará realizando os transplantes. Eu idealizei o sistema, conheço a área e sei como fazer”, completou.

Desgaste – A morte do aposentado Raimundo Borges chamou a atenção da imprensa para a continuidade do problema enfrentado por pacientes em tratamento de hemodiálise, uma vez que no ano passado, em reportagem da TV Mirante e que foi veiculada no Jornal Nacional, da TV Globo, ele e outros pacientes, haviam se manifestado sobre o tema.

Morador de Pinheiro, ele precisava enfrentar, pelo menos três vezes por semana uma rotina desgastante para se submeter ao tratamento na capital. A viagem, numa van, durava horas.

Na ocasião da reportagem da TV Mirante, o nefrologista Alex do Vale falou sobre o tema. Ele afirmou que o tratamento de hemodiálise tem por objetivo dar mais qualidade de vida para pacientes renais crônicos que aguardam transplantes de rim. Ele também explicou que após as sessões – que duram três horas em média -, os pacientes deveriam manter pelo menos algumas horas de repouso.

As obras de construção das unidades de hemodiálise no Maranhão jamais foram concluídas pela atual gestão. Apesar de mais de R$ 1 milhão terem sido liberados para a construção do centro de Saúde em Chapadinha, a obra ficou abandonada e os materiais de construção que haviam sido adquiridos estavam desgastados.

O Estado do Maranhão

Justiça obriga Estado a garantir hemodiálise a servidores

Em decisão datada desta sexta-feira (13), o juiz Clésio Coelho Cunha, respondendo pela Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, determina ao Estado o prazo de 30 dias para a prestação de serviços Terapia Rena Substitutiva para “atender de forma eficiente os beneficiários/ contribuintes do FEPA/FUNBEN, especialmente aos internados no Hospital do Servidor e em condições de alta médica (para que possam fazer o tratamento ambulatorial), ainda que seja com a prestação de serviços médicos externos de hemodiálise em clínicas particulares especializadas, notadamente no Instituto Maranhense de Rins”. A multa diária para o não cumprimento da decisão é de R$ 10 mil.

A decisão atende a pedido de tutela de urgência liminar antecipatória dos efeitos da tutela da Defensoria Pública do Estado do Maranhão em face do Estado e do Hospital do Servidor. De acordo com a DPEM, em abril a Defensoria foi informada por representantes dos assistidos que “por não haver vagas ambulatoriais suficientes em clinicas especializadas em hemodiálise conveniadas com o Hospital do Servidor e Estado do Maranhão, os pacientes estariam tendo que aguardar prazo indeterminado em regime de internação hospitalar por um leito ambulatorial, mesmo nos casos de alta médica”.

Em suas fundamentações o magistrado afirma que “o modelo político, social e econômico adotado pela sociedade brasileira não admite como válida, do ponto de vista jurídico, qualquer prática tendente a vilipendiar o direito universal à saúde”. E alerta: “a negativa de tratamento da maneira recomendada pelo profissional da saúde põe em risco a vida dos que dele necessitam, alem de impedir que tenham minorados os efeitos da enfermidade que lhes acometem”.

De acordo com Clésio Cunha, intimado a manifestar-se, o Estado quedou-se inerte.

Ascom TJMA

Tratamento de hemodiálise em colapso em São Luís

Com 42 pacientes na fila à espera de Terapia Renal Substitutiva (hemodiálise) e outros 90 que ainda nem na fila estão, e todas as unidades de tratamento lotadas e trabalhando 24 horas por dia, a situação de doentes crônicos de rim na capital é gravíssima. O secretário municipal de Saúde, Gutemberg Araújo, apresentou o problema em reunião da Comissão Intergestora Bipartite (CIB). “Estamos vivendo uma situação agonizante em São Luís”, disse o secretário completou.

 Após ser colocado em pauta, o assunto foi discutido entre os gestores presentes e a CIB deliberou que a grave situação da fila da hemodiálise em São Luís será apresentada ao Ministério da Saúde na quinta-feira (28), em Brasília, durante reunião da Comissão Intergestora Tripartite – que reúne gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) nas três esferas públicas: municipal, estadual e federal.

 Também foi deliberada pela CIB a criação de um grupo de trabalho para analisar o assunto, coordenado pela superintendente de Controle, Regulação, Avaliação e Auditoria do Município, Marina Sousa, e pela responsável por essa mesma área na esfera estadual, Silvia Leite.

 A CIB é uma instância colegiada de negociação e articulação entre gestores estaduais e municipais para a regulamentação e a operacionalização das políticas de saúde que integram o SUS.

 Raio X – Na capital estão em atividade três unidades de saúde especializadas em atendimento SUS a pacientes que necessitam de hemodiálise: o Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA – Presidente Dutra), onde estão sendo tratados 128 pacientes; e dois serviços contratados, que são o Centro de Nefrologia do Maranhão, com 412 pacientes; e a Pró-Renal, com 186 pacientes.

 O Maranhão necessita de 33 serviços de terapia renal substitutiva para atender à sua demanda, mas conta com apenas oito. Essa defasagem é o que acaba gerando uma demanda excessiva para as poucas unidades em atividade, situação que tem levado o Centro de Nefrologia do Maranhão e a Pró-Renal a atender com a capacidade máxima, em quatro turnos de revezamento, 24 horas por dia.

 Além disso, os dois grandes hospitais de urgência e emergência – Socorrão I e Socorrão II –, que já operam normalmente em regime de demanda excessiva, precisaram montar unidades de terapia renal substitutiva informal, sem receber recurso do SUS para esse tipo de procedimento.

 Os socorrões têm pacientes internados somente para que sejam submetidos a sessões de hemodiálise, com risco de infecções e suscetíveis a contrair outras doenças. Grande parte desses pacientes vem de outros municípios, principalmente de Bacabal e municípios que integram a macrorregião, segundo levantamento da Superintendência de Controle, Regulação, Avaliação e Auditoria da Semus.

 “Esses pacientes deveriam ser tratados na Unidade de Terapia Renal Bio Rim, situada em Bacabal, que é o serviço referenciado naquela região. Mas, por falta de atendimento em seu local de origem, os pacientes são encaminhados para São Luís”, explicou Gutemberg Araújo.

 Para ajudar a solucionar o problema, o secretário sugeriu à CIB a ampliação do serviço de Bacabal, considerando a nova regionalização aprovada pela própria Comissão. Com o funcionamento do serviço de Terapia Renal Substitutiva da Bio Rim, os pacientes daquela região passarão a ser atendidos em Bacabal, o que reduziria a demanda na capital.