Governo tenta encobrir homicídios no Ano Novo

oestadomortes JPmortesGilberto Léda – O governador Flávio Dino (PCdoB) e praticamente toda sua equipe ligada às áreas de Comunicação de Segurança têm repetido há dois, como um mantra, que não houve registro de homicídios na capital maranhense durante os seis dias de festas que marcaram a virada do ano na capital.

O objetivo deles é claro: mostrar para a população que o esquema de segurança montado para o Réveillon deu certo e que, como em tudo o que faz, esse governo é o melhor de todos os tempos.

dinomortes segurançamortesAntes fosse…

O problema é que as afirmações dos governistas não guardam nenhuma relação com a realidade.

Numa rápida consulta a dois dos maiores jornais do Maranhão (O Estado e Jornal Pequeno) fica claro que o Governo do Estado – e todo o seu aparato de comunicação e segurança – está mentindo.

O Estado aponta para 10 corpos no IML – apenas três deles oriundos do interior. Entre os registros, cita o jornal, vítimas de homicídio.

Já o JP mostra mais: 11 homicídios, os mesmos três no interior.

Ou seja: houve, sim, homicídios em São Luís no período citado pelo governador e seus assessores.

Essa é a realidade dos fatos, contra a qual se deve lutar. Não encobrir e fingir que as famílias das vítimas não perderam seus entes.

Porque a propaganda governista pode até funcionar para quem se deixa enganar, mas não apaga a dor de quem perde um familiar, especialmente num momento de celebração, como a festa de ano novo.

Secretário de segurança é pressionado pelo Ministério Público

Aluísio Mendes, Secretário de Segurança Pública

A Promotora de Justiça em Defesa do Consumidor, Lítia Cavalcanti, pressiona o Secretário de Estado de Segurança Pública, Aluísio Mendes, a fazer reformas emergenciais no Instituto Médico Legal (IML) e Instituto de Criminalística (Icrim).  De acordo com o post da promotora em seu blog oficial, foram firmados Termos de Ajustamento de Condutas, como forma de compensação social, com a  

 Companhia Energética do Maranhão (CEMAR) e a VOLKSWAGEN DO BRASIL, em favor da Polícia Técnica. Lítia afirma que  foram doados para o IML e Icrim, as seguintes quantias:
TAC CEMAR – R$ 800 mil- valor a ser deividido entre a contrução do ICRIM/IML do município de Timon/MA e reforma ou relocação do ICRIM/IML de São Luis e TAC VOLKSWAGEN DO BRASIL – R$ 900 mil para reforma/relocação dos institutos de São Luis, além de 06  veículos tipo AMAROKS, já devidamente adaptados para viaturas policiais e entregues êste mês.

Mesmo assim, não houve contra-partida por parte da secretaria, muito

Geladeiras do IML, foto: Litia Cavalcanti

menos comprometimento em realizar as obras, já pagas por meio das compensãções. A promotora afirma que o IML está a ponto de interdição e não oferece as condições mínimas de trabalho para os funcionários.

O Ministério Público mandou ofícios para Aluísio Mendes que até então não respondeu o porque de obras estarem paradas. Lítia Cavalcanti reafirma que as condições financeiras – que não partiram dos cofres públicos – já estão disponibilizados, mas nada foi feito. Onde foi parar o dinheiro? Porque o IML continua em condições deploráveis, como constatado em duas vistorias da promotora?

Por oportuno, diante da gravidade dos fatos, será encaminhadopela Promotoria de Justiça, para as devidas providências, cópia do  ofício à SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública, Ministro da Justiça, Governadora do Estado do Maranhão, Procuradora Geral de Justiça do Maranhão, Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA e Comissão Nacional de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados – Afirma a promotora em nota.

Corpo é guardado em caixão por falta de geladeira: Foto/ Litia Cavalcanti

Abaixo, os problemas listados pela promotora após vistoria nos órgãos:

1. Estrutura sem manutenção, com morfos, infiltrações, teias de aranha caindo sobre os profissionais ali lotados e público em geral;
2. Ausência de pessoal para realizar faxina;
3. Banheiros inacabados, inexistindo local para uso coletivo e dos profissionais ali lotados;
4. Mobiliário toalmente desgastado em decorrência do uso e ausência de investimentos por parte desta secretaria;
5. Computadores com mais de dez anos de uso, servindo como entulho nas salas, necessitando, os funcionários, de utilizar equipamento eletrônico de sua propriedade;
6. Falta de viaturas e rabecão para locomoção de cadáveres;
7. Ausência completa de equipamentos minimamente necessários à perícia;
8. IML com geladeiras fechadas com arranjos;
9. Falta de equipamento de necrópcia;
10. FALTA DE PORTA NA SALA DE NECRÓPCIA PARA PRESERVAR A PRIVACIDADE DO CORPO DO SER HUMANO QUE ESTÁ SENDO EXAMINADO;
11. Equipamentos enferrujados;
12. Existência de lama, larvas e outras imundicies por total e completa falta de profissionais de limpeza;