Governo vai manter “aluguel camarada” de imóvel na Aurora

População reagiu, no início do ano, a instalação de unidade da Funac no local

O Governo do Estado informou, por meio de nota, que vai substituir o anexo da Fundação da Criança e do Adolescente, instalada num prédio da Aurora – escândalo nacional que ficou marcado como “aluguel camarada” -, por uma Companhia Militar.

A desativação da unidade da Funac ocorreu em cumprimento a um acordo firmado no âmbito de um processo judicial, movido pela Associação de Moradores do bairro na Vara de Interesses Difusos e Coletivos.

Os adolescentes que eram mantidos no imóvel já foram transferidos para outra unidade da fundação.

Alugado desde 2015, o imóvel pertence a Jean Carlos Oliveira, filiado ao mesmo partido do governador, o PCdoB, desde março de 2013. Jean também era funcionário contratado da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap).

O escândalo nacional surgiu quando O Estado revelou, que apesar de ter pago R$ 170 mil só de aluguel pelo prédio, o Governo só passou a utilizar o imóvel em abril deste ano.

Dados oficiais do Portal da Transparência, mostravam que o primeiro pagamento feito pelo governo ao comunista ocorreu no dia 13 de agosto de 2015: R$ 9.563,33.

Na ocasião da repercussão nacional, o secretário de Estado da Comunicação e Assuntos Políticos, e presidente do PCdoB, Marcio Jerry, afirmou que a escolha do imóvel foi uma coincidência.

“Contrato de locação não exige documento que ateste filiação partidária. A pessoa citada não tem nenhum vínculo orgânico com o partido. E o imóvel foi identificado por imobiliária, que intermediou. Tudo normal e legal. Imagina qual ‘filtro’ seria possível para identificar que Jean de tal era filiado ao partido. Querem desviar a atenção do essencial”, afirmou.

Saiba Mais

Além de pertencer a um filiado do PCdoB, o imóvel alugado pelo Governo foi utilizado na campanha de 2014 como comitê de campanha do partido. Lá eram realizadas reuniões político-partidárias e servia também como centro de distribuição de material de campanha.

Informações de O Estado

Escândalo do aluguel de clínica provoca crise no Governo

O escândalo nacional do pagamento de aluguel, há um ano, da Clínica Eldorado, que soma cerca de R$ 1 milhão – quando somado com os gastos na reforma do imóvel -, abalou as estruturas do Palácio dos Leões.

Desde ontem, quando a denúncia revelada por O Estado ganhou destaque no Bom Dia Brasil, e forte crítica dos jornalistas da bancada do telejornal, o governador Flávio Dino (PCdoB) e alguns de seus aliados, buscam respostas de todas as formas, nas redes sociais.

Uma das respostas oficiais do Governo foi de que seria impossível reformar o prédio, sem antes alugar o imóvel. Outra, foi de que o aluguel, de R$ 90 mil por mês, teria sido a solução mais barata.

Nada disso parece ter convencido.

O Governo não conseguiu explicar, por exemplo, porque não deu continuidade ao projeto de instalação da Ortopedia no programa de ampliação do Hospital Dr. Carlos Macieira (HCM), deixado pela gestão anterior, e ao invés disso, optou por alugar um imóvel no Jardim Eldorado.

Nem conseguiu explicar porque paga por um aluguel tão caro por um ano, sem que a clínica pudesse atender um paciente sequer na capital.

O governador Flávio Dino acusa Sarney de ter articulado reportagem nacional contra o Governo. Aliados apontam “denúncias infundadas” em rede nacional.

Foi o que motivou ontem a tarde uma reunião de emergência, convocada pelo governador Flávio Dino, a portas fechadas, no Palácio dos Leões, para discutir o tema.

Crise…

Enfim, o arrego

O governador Flávio Dino (PCdoB) gritou, praguejou, esperneou, lamentou, atacou, mas não teve jeito. Uma semana depois de ver ganhar as manchetes o pagamento por 18 meses pelo aluguel de uma casa fechada, pertencente a um membro do PCdoB e funcionário do seu governo, o comunista, enfim, deu sinais de recuo.

Por toda a manhã de ontem, ele ainda tentou atacar adversários, forçando, inclusive, comparação com alugueis de imóveis no governo anterior – como se dissesse: “Se eles podem, eu posso” -, mas, à tarde, diante das reportagens cada vez mais incontestáveis, foi obrigado a reconhecer que pode ter havido irregularidade no contrato.

“Vou analisar juridicamente a situação de o cidadão ser empregado de uma empresa pública. Friso: tal nomeação não passa por mim”, afirmou o governador, em um de seus perfis nas redes sociais; e tendo o cuidado para eximir-se da responsabilidade.

No caso, e na condição de ex-juiz federal, Flávio Dino nem precisaria recorrer a qualquer estudo jurídico para determinar as controvérsias do aluguel de uma casa que serviu de comitê para seu partido e pertence a um comunista que, hoje, responde por uma área importante do governo.

Mas não basta a Flávio Dino apenas dizer. Ele precisa fazer com a maior urgência possível. Sem esquecer, no entanto, que o seu governo começou 2017 com uma mancha com que ele terá de conviver até o final. Nem que tenha que se comparar ao adversário para se autojustificar.

Da coluna Estado Maior, de O Estado do Maranhão