Base governista usa Marcos Caldas para tentar intimidar Wellington do Curso

O suplente de deputado Marcos Caldas (PSDB) sugeriu ontem, da tribuna da Assembleia Legislativa, a formalização de denúncia ao Conselho de Ética contra o deputado estadual Wellington do Curso (PP), por suposta quebra de decoro parlamentar.

A manifestação de Caldas, que não recebeu qualquer objeção por parte da liderança do Governo no Legislativo, ocorreu após Wellington apontar uma série de inconsistências no relatório apresentado pelo secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, a Casa, a respeito do “Programa Escola Digna”.

Wellington mostrou escolas em completo estado de abandono, mas apontadas no cronograma da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) como reformadas, e revelou a realização de obra de construção de um ginásio poliesportivo no prédio de uma escola desativada, no município de Paraibano, o que resultou na instauração de uma Ação Civil Pública por parte do Ministério Público contra o Estado e o município.

No exercício do mandato em decorrência de um pedido de licença para tratamento de saúde, protocolado pelo deputado Alexandre Almeida (PSD), Marcos Caldas, que tenta apresentar-se ao Governo como uma peça de papel importante no Legislativo -, utilizou a tribuna para tentar intimidar o colega de oposição. Wellington, na mesma ocasião, participava da solenidade de posse do cargo de vice-presidente do Parlamento Amazônico, em Roraima.

Para Caldas, Wellington teria mentido no Legislativo, ao afirmar que tratava-se de propaganda enganosa a informação de realização de obra numa escola situada em Nova Iorque do Maranhão.

“O deputado Wellington do Curso afirmou categoricamente que a Seduc colocou esta escola na lista das escolas reformadas pelo governo e fez uma filmagem, jogou na internet dizendo que o governo estava fazendo propaganda enganosa, mostrando uma escola que está abandonada e que foi encaminhada para esta Casa uma lista, a qual eu tenho aqui na mão, falando que a escola estava na lista como executada, mas que a escola está abandonada”, disse.

“O deputado Wellington faltou com a verdade. Primeiro, eu quero dizer para os deputados e principalmente para o Wellington do Curso que nessa lista que a Secretaria de Educação encaminhou para a Assembleia Legislativa está aqui o nome da escola Nova Iorque, mas está aqui como ‘a executar’. Se está a executar é porque não foi colocada na lista das que estavam executadas”, completou.

Ele pediu para que o comando da Mesa Diretora encaminhasse à Comissão de Ética, uma denúncia contra Wellington. “Presidente, o deputado Wellington faltou com a verdade e quebrou aqui, no Regimento, o decoro parlamentar”, completou.

Procurado por O Estado, Wellington do Curso afirmou que ainda não havia tomado conhecimento do pronunciamento de Marcos Caldas, uma vez que ele participava, naquela ocasião, da solenidade de posse do Parlamento Amazônico.

Saiba Mais

No mês de outubro do ano passado, período das eleições municipais, o deputado Marcos Caldas (PSDB) entrou em forte discussão com a deputada Andrea Murad (PMDB). Na ocasião houve troca de acusações, o suplente foi repreendido pelos colegas. Por conta do imbróglio, Alexandre Almeida (PSD), que estava de licença em decorrência da disputa eleitoral em Timon, retornou ao mandato antes do período previsto o que forçou a saída de Caldas do Parlamento.

Denúncia de oposicionista resultou em ação do MP

No início do mês de julho o promotor de Justiça Gustavo Pereira Silva ingressou com uma Ação Civil Pública contra o município de Paraibano e o Estado do Maranhão, em decorrência do abandono de uma escola pública da rede estadual – cedida ao município -, que apesar de desativada recebeu obra de construção de um ginásio poliesportivo.

A obra foi autorizada por meio de um convênio entre a Prefeitura de Paraibano e o Governo do Maranhão, mas está parada por causa da falta de repasses ao município.

O MP tomou por base uma denúncia formulada pelo deputado estadual Wellington do Curso (PP) em junho. O parlamentar apontou descaso do Governo e cobrou uma explicação da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

Na ação, o promotor pede liminarmente à Justiça, que o município de Paraibano e o Estado do Maranhão providenciem a inclusão de obras de restauração do prédio da escola Centro de Ensino Edson Lobão em seus orçamentos de 2017.

Pede também a citação dos réus, a realizaç6ão de uma inspeção judicial no prédio, para que seja atestado o estado de abandono; solicita também que a Justiça oficie a Secretaria de Estado da Educação para que informe a atuação situação do convênio 41/2013 e do processo administrativo 66478/2015 – que trata da cessão do prédio ao município -; que os réus sejam condenados a realizar as obras e que sejam condenados também para pagar as custas processuais.

A ação do MP contra o Estado provocou reação da base governista a Wellington do Curso, que foi quem provocou e alertou o órgão das irregularidades.

Informações de O Estado

Uma página virada…

marcos-caldasO deputado estadual Alexandre Almeida (PTN) assegurou ontem ao blog do jornalista Gilberto Léda, que retornará as suas atividades na Assembleia Legislativa.

Ele estava licenciado da Casa em decorrência do seu envolvimento direto na disputa eleitoral do município de Timon, e acabou abrindo espaços para o suplente Marcos Caldas (PSDB).

Foram difíceis 121 dias no Parlamento Estadual.

Ex-membro da base da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), Caldas passou de “sarneyzista” para um inflamado tucano-comunista.

E protagonizou cenas lamentáveis no Parlamento.

No início da semana, tentou constranger e bateu boca com a deputada Andrea Murad (PMDB). Utilizou palavras de baixo nível no plenário da Casa. O presidente da Assembleia, deputado Humberto Coutinho (PDT), foi obrigado a encerrar a sessão.

Foi a gota d’água para o fim da passagem de Caldas pela Casa.

Alexandre havia protocolado requerimento para renovar a licença por mais 121 dias. Depois do episódio, recuou. Ele, literalmente, vai retirar Caldas do mandato suplente.

E demorou…

Duas traições e um vazio político após a totalização de votos

Hélio Soares, do PMDB, ao lado de Flávio Dino e Roberto Rocha

Hélio Soares, do PMDB, ao lado de Flávio Dino e Roberto Rocha pouco antes do pleito

Os deputados estaduais Marcos Caldas (PRP) e Hélio Soares (PMDB), que nas semanas que antecederam a eleição traíram o senador Lobão Filho (PMDB) e todo o grupo governista  ao migrarem para a campanha de Flávio Dino (PCdoB), eleito governador do Maranhão, não conseguiram renovar os seus mandatos para a Assembleia Legislativa.

Marcos Caldas disputou a eleição pela coligação “Força Jovem”, e ficou na suplência, com 30.834 votos. Apesar de não ter sido eleito, pode ser que consiga assumir mandato até 2018, uma vez que é intensa a movimentação política no parlamento durante uma legislatura.

Já o peemedebista Hélio Soares, que concorreu a uma vaga na Assembleia pela coligação “Pra Frente Maranhão 2” obteve apenas 15.520 votos, não deve mais retornar ao parlamento, nem na condição de suplente. O seu desempenho foi bem abaixo da média para um deputado em mandato.

Os dois candidatos que abraçaram a candidatura comunista talvez convictos de que alcançariam votação expressiva e reeleição estão definitivamente fora do plenário na Assembleia Legislativa. Vivem, por tanto, um vazio político depois da eleição 2014. Talvez uma punição expressa do eleitorado pelas traições cometidas por ambos os candidatos…

Marcos Caldas também não conseguiu a reeleição, mas ficou na suplência

Marcos Caldas também não conseguiu a reeleição, mas ficou na suplência

Assembleia terá comissão para discutir em Brasília a reforma política

deputado Marcos Caldas

Deputado estadual Marcos Caldas

A Assembleia Legislativa do Maranhão aprovou ontem requerimento dos deputados Marcos Caldas (PRB) e Rubens Pereira Júnior (PCdoB) que solicita a criação de uma Comissão Especial da Casa para discutir em Brasília a reforma política proposta pelo Governo Federal.

A comissão será composta por sete membros titulares e sete suplentes, com representatividade de todos os blocos parlamentares.

A presidente Dilma Rousseff (PT) discute com a sua equipe de governo e com o Congresso Nacional desde o início dos protestos no país proposta para que um plebiscito

Deputado Rubens Pereira Júnior

Deputado Rubens Pereira Júnior

leve à sociedade a possibilidade de decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para tratar da reforma política. Um projeto sobre o tema tramita na Câmara dos Deputados desde o ano passado, mas nunca foi votado. Entre os pontos mais polêmicos na reforma, há o fim do financiamento público de campanhas, fim das coligações proporcionais, unificação das eleições e a possibilidade de mudança no sistema eleitoral para o modelo distrital.

Marcos Caldas, que defendeu a criação do colegiado com o argumento de que a Assembleia não poderia ficar alheio à discussão nacional, já trabalha na montagem da equipe junto a Rubens Júnior. A ideia é integrar membros do maior número possível de partidos políticos da Casa. Os nomes devem ser entregues à Mesa Diretora ainda hoje.