Andrea Murad aponta ‘caos’ no Hospital Carlos Macieira

A deputada Andrea Murad (MDB) usou a tribuna na manhã de hoje (12) irregularidades no Hospital Carlos Macieira.

A parlamentar relatou falta de medicamentos essenciais para a vida de pacientes na unidade, desfalque de profissionais – o que forçou a direção do hospital implantar escalas extras, não pagas desde o ano passado -, e atraso nos salários dos servidores.

Para Andrea, o cenário é de um verdadeiro caos em um dos principais hospitais públicos do Maranhão.

“No HCM, para suprirem o desfalque de funcionários, criaram escalas extras, e desde outubro de 2017 não são pagas, ou seja, enfermeiros, técnicos, demais profissionais que se submetem às escalas extras não estão recebendo mal o salário, quanto mais as horas extras efetuadas. Sem contar os vigilantes da unidade que estão há meses sem receber seus salários. O mais grave é o péssimo tratamento que estão dando aos pacientes, muitos sem os medicamentos adequados para saírem vivos da unidade. Não tem antibiótico, não tem Heparina, essencial para quem corre risco de trombose. Há um mês não tem o medicamento. Não tem Dobutamina, medicamento imprescindível para pacientes na UTI do Carlos Macieira. Meu Deus. Um hospital dessa magnitude, nessas condições, faltando medicamentos essenciais para a vida de pacientes, é inaceitável”, relatou.

A parlamentar afirmou ainda que o Governo busca um certificado de qualidade do hospital junto à Organização Nacional de Acreditação em meio às irregularidades.

“Caos total na unidade. Em uma UTI com 12 pacientes ficam apenas 3 técnicos de enfermagem sem saber como dar a atenção. O ideal seria um técnico para cada 2 pacientes. Estão sobrecarregadas ao dobro. Tem setor lá que é 1 enfermeira e 4 técnicos de enfermagem para uma ala com 47 pacientes. É de enlouquecer qualquer profissional e ainda pôr em risco a vida do paciente porque não se oferece o mínimo de condições para um tratamento adequado. Me relataram aumento de óbitos e quadros graves de infecção hospitalar. E pasmem, tudo isso acontecendo e o governador Flávio Dino e o secretário Calos Lula loucos pra receber o certificado de excelência pela Organização Nacional de Acreditação, a ONA. O HCM está um caos, está sem enfermeiros, está sem técnicos, vigilantes sem receber salário, a estrutura toda sem receber salários, médicos revoltados sem receber e ele preocupado em receber certificado de excelência. Ele deveria procurar é ter vergonha na cara. Só não vou trata-lo como ele merece porque já tem deputados da base aliada que já tratam ele da forma como merece ser tratado”, finalizou.

Promotora aponta falta de medicamentos no Hospital do Câncer

Promotora Glória Mafra

Promotora Glória Mafra

A promotora Glória Mafra, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de São Luís, revelou no sábado (30), durante entrevista ao programa “Estação Ministério Público”, produzido e apresentado pela Coordenação de Comunicação do órgão, que medicamentos que deveriam ser fornecidos a pacientes em tratamento de Câncer estão em falta no Hospital Geral, unidade estadual especializada em oncologia.

A falta de medicamentos foi constatada em visita in loco da promotora à unidade de saúde. Segundo ela, a direção do hospital comprometeu-se a atualizar o estoque do almoxarifado e informar hoje (1º) ou amanhã (2) se ainda faltam medicamentos.

Ela garantiu que, caso ainda haja desabastecimento, o MP atuará em conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) para garantir um processo de compra rápido, mas legal.

“Nós fizemos um trabalho dentro da unidade do Hospital do Câncer, para que o gestor pudesse garantir o atendimento. E ainda estamos aguardando, para segunda ou terça-feira, uma posição atualizada se ainda estamos sem medicamentos quimioterápicos”, declarou.

Glória Mafra disse que ainda apura ha quanto tempo o Governo do Estado não fornece os remédios. Ela acrescentou que “grande parte” deles estão em falta no Hospital do Câncer.

“Sim [houve uma interrupção do fornecimento dos medicamentos de quimioterapia]. Isso é real. Estamos apurando essa questão do tempo, de quanto tempo ficou sem. Mas o que nós constatamos, até com uma visita in loco, é que vários e vários quimioterápicos, grande parte dos quimioterápicos, ficaram um período sem ser dispensados. Estamos aguardando o batimento do almoxarifado do hospital para verificar se ainda há quimioterápicos sem ser dispensados”, revelou.

Durante a entrevista, a promotora informou, ainda, que também já descobriu que faltam medicamentos na Farmácia Estadual de Medicamentos Especiais (Feme).

“O que a gente percebeu e constatou nesses últimos meses é um desabastecimento. É evidente que nós temos uma transição, é evidente que nós temos uma mudança de lógica de gestão, mas o paciente que está doente, internado, em casa, precisando de um medicamente para melhorar ou para não adoecer mais, ele e o seu familiar não quer saber dessa questão de ser transição ou não”, completou.

Informações do blog de Gilberto Léda

Falta de anestesia pára setor odontológico do Socorrão I

Criança é transferida para unidade pediátrica à pé, mesmo com soro aplicado / Foto: Douglas Junior

Por Ronaldo Rocha –  

publicada em O Estado

Hospital Municipal Djalma Marques, o Socorrão I, situado no Centro, está há dois meses sem prestar atendimentos de odontologia por falta de anestésicos. Ao chegar à unidade, o paciente é de imediato orientado a buscar atendimentos emergenciais em outros hospitais de São Luís. Além da falta de anestésicos, o Socorrão apresenta muitas falhas estruturais. Durante a manhã de ontem,  O Estado flagrou alguns pacientes sendo transferidos em situações degradantes. Como exemplo, uma garotinha, que mesmo com o soro sendo aplicado em suas veias, foi levada a pé para outra unidade pediátrica próxima ao Socorrão, sem o auxílio de ambulância ou macas.

 A escassez de anestésicos impossibilita a operacionalidade do setor de odontologia, que precisa constantemente realizar procedimentos cirúrgicos. “O setor não está funcionando no momento, mas você pode se dirigir ao Paulo Ramos, que lá será atendido”, disse uma funcionária que organiza a ficha de pacientes atendidos.

Questionada sobre o motivo da suspensão, ela foi sucinta e evitou entrar em maiores detalhes. “Meu amor eu não sei. O que sei é que esse atendimento não está sendo feito no momento”, finalizou.

Mesmo do lado de fora do hospital, é possível notar inúmeras irregularidades. Transferência precária de pacientes, inclusive sem ao auxílio de veículos especializados para este tipo de procedimento (ambulâncias), falta de espaço para a acomodação de pacientes feridos que aguardam a liberação das fichas e a demora para receber atendimentos emergenciais, foram alguns dos problemas verificados pela equipe de reportagem.

 Inspeção – Em março do ano passado o Socorrão I foi alvo de uma inspeção por parte da Vigilância Sanitária Estadual e do Ministério Público, por meio da Promotoria Especializada da Saúde, onde foram constatadas inúmeras irregularidades. Na oportunidade, os órgãos verificaram que apenas 20% das irregularidades apontadas em uma outra inspeção, realizada em outubro de 2009, haviam sido solucionadas. o funcionamento da unidade foi classificado como precário.

Em 2010 as pendências estavam relacionadas a falta de enfermarias, postos de atendimento e triagem, portas nos centros cirúrgicos, banheiros exclusivos para o uso de funcionários setoriais, além de uma série de adequações físicas dentro dos padrões mínimos exigidos, como o maior espaço entre os leitos dos pacientes que era impossibilitado em razão da superlotação do hospital, além de maquinário adequado para esterilização dos materiais utilizados no trato dos doentes, plantonistas 24 horas, ampliação do quadro funcional e mais leitos.

 

Em nota, a assessoria de comunicação da Prefeitura de São Luís reconhece o problema, no entanto, diz que a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informa que o atendimento odontológico no Socorrão I não está paralisado em sua totalidade. De acordo com a comunicação do órgão, o processo de compra de material odontológico para suprir as unidades de saúde da rede municipal neste ano – incluindo o Socorrão I – já foi licitado, aguardando apenas a abertura do orçamento 2011 para o início da entrega dos mesmos e a conseqüente normalização do atendimento em sua plenitude.