Sousa Neto confronta Othelino e enquadra Fernando Furtado

Deputado estadual Sousa Neto

Deputado estadual Sousa Neto

O deputado estadual Sousa Neto (PTN) confrontou há pouco na Assembleia Legislativa, o vice-presidente da Casa, deputado Othelino Neto (PCdoB).

O oposicionista fez referência à reportagem veiculada em cadeia nacional pela Rede Record, que abordou a pobreza no Maranhão, e criticou o fato de governistas apontarem os aspectos negativos do estado, às gestões do grupo Sarney.

Sousa Neto lembrou que também passaram pelo comando do Governo do Estado, políticos que pertencem ao grupo liderado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), como o deputado federal José Reinaldo Tavares (PSB) e Jackson Lago (PDT). Ele não citou mais também podem ser incluídos na lista, os ex-governador João Castelo (PSDB), Epitácio Cafeteira (PTB) e Luiz Rocha, pai do senador Roberto Rocha (PSB).

E apontou estes políticos também como responsáveis pelos baixos indicadores sociais do estado. “Os governos passados, como o de Jackson Lago e de Zé Reinaldo Tavares, também são responsáveis. No governo Zé Reinaldo, o qual o deputado Othelino foi secretário e, diga-se de passagem, teve uma gestão desastrosa na Secretaria de Meio Ambiente. Desastrosa”, disse.

Othelino rebateu o pronunciamento de Neto

Othelino rebateu o pronunciamento de Neto

Ele afirmou que possui documentos sobre a gestão de Othelino na pasta de Meio Ambiente, e disse que os apresentará após a base governista levantar dados da gestão de Ricardo Murad na Saúde. “Eu tenho todos os documentos que aqui que falam o que foi ele quando secretário de Meio Ambiente, mas vou esperar os documentos da Secretaria da Saúde saírem para a gente poder debater, já que ele esculhamba e fala tão mal do ex-gestor de Saúde”, disse.

Rebateu – Othelino Neto rebateu Sousa Neto. Ele afirmou que considera o oposicionista um parlamentar “gentil” e cuidadoso com as palavras, e pediu moderação em relação a si.

Fernando Furtado também foi alvo de críticas

Fernando Furtado também foi alvo de críticas

“A interpretação da minha gestão na SEMA é pessoal, subjetiva. Portanto, eu não vou fazer autoelogios, mas tenho muito orgulho de ter sido secretário de Meio Ambiente do meu Estado nos governos de Zé Reinaldo, que fez uma transição política importante”, disse.

Sousa Neto também desafiou o deputado Fernando Furtado (PCdoB) em relação à sua atuação na Colônia dos Pescadores de Pinheiro. Neto afirmou que no momento em que o comunista estiver presente no plenário [no momento do discurso ele era figura ausente], o confrontará com dados em relação à sua gestão.

Palafitas: omissão e leniência

Palafitas, triste realidade de São Luís, mas que passa pela omissão do Município

Palafitas, triste realidade de São Luís, mas que passa pela omissão do Município

Depois de exploradas à exaustão em campanhas eleitorais por candidatos de oposição que delas pouco se lembram em tempos normais, as palafitas que ainda restam em São Luís estão servindo de parâmetro para medir o crescimento econômico do Maranhão em análises feitas por repórteres que nada sabem sobre o estado e que o retrataram falsamente. A ideia que passam é a de que São Luís e o Maranhão como um todo são marcados por um contrate socioeconômico incomum: os ricos edifícios da “Planície” e as palafitas da ponta de praia e de mangue que margeia a Avenida Ferreira Gullar. Pelo que tem sido mostrado, não há meio termo: no Maranhão ou é rico ou palafitado.

Nenhum desses visitantes apressados que usaram palafitas como indicador de miséria em São Luís teve a preocupação de investigar a origem e as razões da sua existência. Todos preferiram apontá-las, direta ou indiretamente, como consequência de descaso do poder público estadual, quando a administração do Estado pouco tem a ver com o problema. A imagem mais explorada recentemente foi a captada por uma câmera colocada numa posição inicialmente focada no Palácio dos Leões – que a todos orgulha -, de modo que um giro de apenas 180 graus enquadra a palafita que faz esquina com a avenida Ferreira Gullar.

Aos intérpretes açodados não se interessou saber que aquela palafita é fruto de um descaso conjunto da Prefeitura de São Luís e da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O envolvimento da União decorre do fato de que aquela ponta de praia é parte do seu patrimônio, por se tratar de uma “área de marinha”. A responsabilidade da Prefeitura é óbvia e tão ou mais grave: por tudo o que diz respeito à ocupação do solo urbano do Município, pertença-lhe ou não a área em foco. Assim, a União e o Município são responsáveis diretos pela existência de palafitas em São Luís. Mas, por incrível que pareça, nem a Prefeitura nem a SPU se manifestaram sobre o assunto.

Há cerca de três anos, o então prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB), ensaiou uma ação para extinguir a palafita da Avenida Ferreira Gullar. Numa ação que não ficou bem esclarecida, a SPU deu prazo para que os palafitados deixassem a área, sob pena de serem despejados por bem ou retirados à força. Foi-lhes oferecido um terreno na periferia da cidade. Movimentos ligados à questão da moradia reagiram, foram à Justiça e derrubaram a ação de despejo da SPU, enquanto a Prefeitura foi desmoralizada e lavou as mãos. O mesmo deveria acontecer com uma área de mangue conhecida como “Favelinha”, de onde também os ocupantes não foram retirados, e desde então a ocupação só se expandiu.

A verdade é que desde o fim dos anos 80, com a chegada do PDT ao poder municipal, a Prefeitura de São Luís adotou uma política de indiferença em relação ao caso, permitindo não só o crescimento da área palafitada, como também da invasão da área de mangue. A SPU nunca mais se manifestou sobre o assunto, como se o problema não lhe dissesse respeito. Não se soube mais sobre o andamento da ação, mas é óbvio que ela não ganhou nenhum movimento, já que a situação continua a mesma, ou melhor, a situação que deveria impedir continua se agravando, com o crescimento da ocupação ilegal.

O prefeito Edivaldo Júnior (PTC) prometeu livrar São Luís de palafitas e ocupações ilegais. Mas um ano de gestão nada produziu de concreto que pudesse ser interpretado como ação destinada a resolver esse problema. E aí comete dois erros. O primeiro é o da omissão, que pode ser também interpretado como leniência. O outro é o da incapacidade de ação por absoluta falta de autoridade, situação que vem se agravando com a manifesta e indiscutível fraqueza do prefeito diante de várias ilegalidades que ele prefere manter debaixo do tapete.

Editorial da edição de hoje de O Estado do Maranhão

Biscoito de terra alimenta famintos no Haiti

  • Espaço Fé

Biscoitos de argila são preparados para venda / Foto: Adriana Cubillos - AP

Por causa da inflação nos preços dos alimentos e a superlotação de biocombustíveis, o Haiti é um país de famintos. Triste realidade que nos faz refletir, quão boa tem sido nossas vidas. Temos de tudo ao nosso redor. Tecnologia de ponta, dinheiro, refeições de qualidade, água “tratada”, casas com infra-estrutura adequada, roupas da moda e inclusive muitas, mais muitas regalias. Se você está tendo acesso a este texto, dispõe no mínimo de acesso ao computador e internet.

Bem, o fato é que a população caribenha está literalmente comendo terra. O país mais pobre das Américas oferece diariamente a seus conterrâneos argila amarela. A desnutrição é alarmante no país, e pouco temos feitos a esse respeito. Vale ajuda financeira, doações, e muita, muita oração. E um dos piores quadros, lembro, diz respeito a epidemia de cólera.   

Menino mostra língua após consumir biscoito / Foto: Adriana Cubillos - AP

De acordo com Osmar Freitas Junior, do R7, há anos, quem anda pelo terreiro aos pés do Fort Dimanche – a antiga prisão juvenil e atual favela – encontra o mercado e a fábrica das bolachas de terra. Mulheres agachadas na rua estendem discos de argamassa em grandes placas de zinco. Horrível para nós, acostumados com carne, frango e mariscos deliciosos.

Ele acrescenta que a receita do biscoito grosso para as massas é simples: argila, água e sal. Forma-se uma pasta amarela, moldada em pequenos círculos. O cozimento fica por conta do sol: em pouco mais de uma hora, o produto final está pronto para a venda.

Em 1994 a bolacha custava pouco mais de R$ 0,03. Em dezembro de 2009, o quitute de barro subiu para R$ 0,06, aproximadamente. Hoje a unidade está R$ 0,08, graças em parte ao terremoto. A assistente social da ONU (Organização das Nações Unidas) Marie Mendel, disse: “Aumentou o preço da terra. Um latão está custando US$ 1,50 [R$ 2,57]”.

A situação é triste, lamentável, alarmante e insuportável. Como seguidores de Cristo e servos de Deus, precisamos nos posicionar urgentemente.