Eduardo Cunha anuncia rompimento com Dilma Rousseff

Eduardo Cunha rompeu com Dilma

Eduardo Cunha rompeu com Dilma

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou na manhã de hoje o seu rompimento político com o governo Dilma Rousseff (PT). Segundo Cunha, a partir de agora ele passará a integrar as fileiras de oposição à gestão petista. “Eu, formalmente, estou rompido com o governo. Politicamente estou rompido”, enfatizou Cunha em coletiva de imprensa no salão verde da Câmara.

O peemedebista acusa o Palácio Planalto de ter se articulado com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para incriminá-lo na Operação Lava Jato. Ontem o ex-consultor da Toyo Setal Júlio Camargo relatou à Justiça Federal do Paraná que Cunha lhe pediu propina de US$ 5 milhões.

Um dos delatores do esquema de corrupção que atuava na Petrobras, Camargo afirmou em seu depoimento, em Curitiba, que foi pressionado por Cunha a pagar US$ 10 milhões em propinas para que um contrato de navios-sonda da estatal fosse viabilizado. Do total do suborno, contou o ex-consultor, Cunha disse que era “merecedor” de US$ 5 milhões.

Camargo, que é ex-consultor da empresa Toyo Setal, afirmou à Justiça que, sem ter recurso para pagar a propina exigida, Cunha o ameaçou com um requerimento na Câmara, solicitando que os contratos dos navios-sonda fossem enviados ao Ministério de Minas e Energias para avaliação e eventual remessa para o Tribunal de Contas da União (TCU).

Apesar das duras críticas desferidas contra o governo durante a entrevista, o presidente da Câmara disse que o rompimento não significa que haverá o “fim da governabilidade”. “O fato de eu estar rompido com o governo não vai afetar a relação institucional”, complementou o peemedebista.

Ele assegurou que continuará a pautar os projetos, inclusive, de interesse do Planalto, mas fez um alerta: “Saiba que o presidente da Câmara agora é oposição ao governo”.

Informações do G1

E agora, Flávio Dino?

marina e camposA filiação da ex-senadora Marina Silva ao PSB, para, ao que tudo indica, ser candidata a vice do governador pernambucano Eduardo Campos na corrida para a Presidência da República, foi intensamente festejada pelo presidente da Embratur, o comunista Flávio Dino, pré-candidato do PCdoB ao governo do Maranhão.

Dino vem fazendo jogo duplo com o Palácio do Planalto. Apresenta-se como aliado da presidente Dilma Rousseff, mas na verdade arregaçou as mangas e está trabalhando para fortalecer a candidatura de Eduardo Campos. Chegou mesmo a declarar apoio ao pernambucano, publicamente, quando ele esteve em São Luís no mês passado.

Eticamente, Dino não se espelha nem nos seus parceiros do PSB, que faziam parte do governo da presidente Dilma, mas entregaram seus cargos depois que Eduardo Campos fincou pé e decidiu ser mesmo candidato a presidente.

O comunista, ao contrário dos socialistas, se mantém aferrado à presidência da Embratur, sem nunca ter declarado publicamente apoio à candidatura da presidente Dilma à reeleição. Nos bastidores, corre a versão que Dino quer ficar na Embratur até abril do ano que vem, mas vozes do PT já começam a bradar contra a sua permanência.

O fato é que a filiação de Marina Silva levará o PSB à oposição, tirando de uma posição cautelosa mantida até aqui por Eduardo Campos. E seus partidários no Maranhão, que já vinham se assanhando, agora vão ter de seguir o discurso da dupla Eduardo/Marina. E nesse contexto Flávio Dino não poderá manter a posição furta-cor em relação à disputa presidencial.

Da coluna Estado Maior, de O Estado