A dura resposta de Roberto Rocha às críticas de Gastão Vieira

Plenário do Senado durante sessão deliberativa ordinária.Em discurso, senador Roberto Rocha (PSB-MA).Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado.

Por Roberto Rocha

O jornal O Estado do Maranhão deste domingo traz uma reveladora entrevista com o ex-deputado, ex-secretário, ex-ministro Gastão Vieira (leia aqui), demonstrando que ele desejaria mesmo era inaugurar a categoria de ex-derrotado, nas últimas eleições.

Chega a ser constrangedor como o ex-tudo expõe a ferida narcísica que se abriu ao ver o povo do Maranhão lhe negar um mandato de senador. Não é a primeira vez. Ao invés de recolher as lições, de cicatrizar as feridas, o multi-ex prefere trazer para a arena pública o seu resiliente inconformismo com a expressão soberana da vontade popular.

Não há precedentes dessa atitude no Maranhão. Todo político, por mais capaz que seja, precisa passar pela experiência amarga da derrota. Eu mesmo, na eleição de 2010 ao Senado, saí derrotado sem que isso me fizesse proferir uma única palavra de desmerecimento aos meus adversários. Afinal, esse é o preço que devemos pagar quando nos submetemos à soberania do voto.

Ao contrário, Gastão Vieira parece invocar uma espécie de recall do voto, como se o eleitor fosse lhe fazer um desagravo pelas suas excelsas virtudes que não foram reconhecidas na eleição passada.

E que virtudes serão essas? Será a sua insuperável capacidade de ter sido repetidas vezes eleito agarrado às saias da governadora? Ou o fato de ter se beneficiado do dinheiro do Lobão Filho e do prestígio da presidente Dilma, ao mesmo tempo em que à noite se encontrava com os comunistas?

Será que o povo irá recompensá-lo por conseguir um emprego no governo Dilma, graças ao PROS, a quem traiu se agarrando em Roseana para manter o cargo com Temer, prometendo retornar para o PMDB?

Será que o povo do Maranhão irá perdoar a atitude dúbia de quem fez campanha com os recursos do grupo Sarney, fazendo contorcionismos verbais para parecer independente?

Ou o povo se apiedará de sua ingenuidade de achar que poderia ser o candidato de Flavio Dino em 2018, que apenas o usou enquanto ele estava no FNDE e tinha alguma serventia?

Agora, pelo menos, ele reconhece que para ser candidato ao Senado é preciso ter grupo. Justamente o que ele tinha e negou na campanha passada.

Por isso tenta recompor, sem sucesso, a trilha antiga com o grupo Sarney, que agora o ignora. Assim como com o PSDB, que o recusa, por o conhecer demasiado. Esse tem sido o tom das lamentações dessa figura política que não quer ver o passado passar. E por conta disso, vive delírios de um presente que não se realiza.

Só lhe resta, então, devanear um grupo fictício, dos eleitores arrependidos de não terem votado nele. Oxalá ele consiga se firmar como candidato, para apurarmos a extensão desse formidável ‘grupo político’, nas próximas eleições.

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