O julgamento político e oportunista no Maranhão

Roseana coletivaDesde quando foi citada em delação premiada por Paulo Roberto Costa e incluída no inquérito da Polícia Federal no bojo da Operação Lava Jato, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) passou a enfrentar grande desgaste político e moral.

No Maranhão, os seus adversários trataram de antecipar as investigações e julgaram, também antecipadamente, a peemedebista. O objetivo era apenas um: destruir a imagem da ex-governadora.

Dois anos depois, a própria PF sugeriu o arquivamento do inquérito. Ontem foi o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, quem formalizou o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Teori Zvascki deve arquivar o inquérito nas próximas horas.

Roseana havia sido acusada de ter pago propina no esquema da Lava Jato. Classificada por adversários de criminosa, por isso. As acusações eram comuns nos embates promovidos por governistas na Assembleia Legislativa. Numa outra ação, desta vez investigada pela Polícia Civil, no estado, e que buscava também colocacá-la no banco dos réus, o governador Flávio Dino (PCdoB) chegou a inonizar, em tom de ameaça, a reação da peemedebista. Na ocasião Roseana acusou o comunista de perseguição política.

A entrevista de Dino foi dada a O Estado de São Paulo [reveja aqui]. “O que queriam: Que a polícia e a Justiça do Maranhão jogassem o inquérito de 2014 numa gaveta profunda? Ou no Oceano Atlântico?”, ironizou o governador.

Roseana é agora alvo do fatídico e já desmoralizado Caso Sefaz, no qual o procurador-geral de Justiça apontou para uma força-tarefa com a participação até de magistrados nas investigações. Associações de procuradores do Estado e Nacional, promotores de Justiça, magistrados, deputados e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) criticaram as ações midiáticas no caso. Reveja aqui, aqui e aqui.

Adversários de Rosena concentram-se agora na pauta e sugerem até a prisão da peemedebista. Tudo para eliminá-la da disputa política e eleitoral de 2018.

Ou seja, mais um julgamento político antecipado e oportunista.

E as farsas vão sendo desmontadas uma a uma…

 

João Marcelo aponta perseguição de Dino a adversários políticos

João Marcelo SouzaO deputado federal João Marcelo Souza (PMDB) utilizou a tribuna da Câmara na manhã de ontem, para denunciar atos de perseguições políticas por parte do governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB).

Em seu discurso, João Marcelo citou detalhes de casos ocorridos com o pré-candidato à Prefeitura de Turilândia, Domingos Curió; e com o também pré-candidato à Prefeitura de Santa Inês, delegado Valter Costa. Esse último teria sido transferido de cidade, a mando do governador.

“Temos hoje o pior governador do Maranhão, conhecido como perseguidor do povo e da classe política. Ele não atende a classe política, nem de situação e nem de oposição. Mas agora ele extrapolou com a perseguição de pré-candidatos dos municípios de Santa Inês e Turilândia”, denunciou.

Segundo João Marcelo, Flávio Dino estaria por trás da recente prisão por motivos políticos do pré-candidato Domingos Curió (PMDB-MA), que segundo ele lidera pesquisas de intenções de votos. Ao ser preso o ex-prefeito teria sofrido agressões e teve a cabeça raspada.

“Ele está incomodando o candidato do governador Flávio Dino em Turilândia e é assim que esse governador age. Tenho vergonha do que ocorre hoje no Maranhão”, denunciou.

Adversários criticam Roberto Rocha

Os candidatos a senador do PSOL, Haroldo Sabóia, e do PSTU, Marcos Silva, trouxeram

Roberto Rocha é vice-prefeito de São Luís

Roberto Rocha é vice-prefeito de São Luís

à tona mais uma vez o debate sobre a ligação do vice-prefeito de São Luís, Roberto Rocha (PSB), com a oposição.

Mesmo sendo candidato a senador pela coligação “Todos pelo Maranhão”, encabeçada por Flávio Dino (PCdoB), o socialista voltou a ser apontado pelos adversários ultraesquerdistas como uma espécie de linha auxiliar do grupo comandado pela governadora Roseana Sarney (PMDB), que tem como candidato ao Senado o deputado federal Gastão Vieira (PMDB).

A primeira referência ao assunto foi feita por Sabóia, há duas semanas. Em texto publicado em sua página pessoal numa rede social, o candidato afirmou categoricamente que “Gastão Vieira e Roberto Rocha são candidatos do mesmo grupo” e que, qualquer que seja o eleito entre eles, atenderá aos anseios dos mesmos correligionários.

Sabóia acrescenta que o objetivo é tomar-lhe a eleição. “Gastão Vieira e Roberto Rocha são candidatos do mesmo grupo. […] Assim, farão tudo para tomar a eleição de um candidato como eu que sempre fui de oposição”, disse.

Também por meio das redes sociais, o candidato do PSTU, Marcos Silva, criticou o discurso de Rocha, segundo o qual este seria “o único candidato das oposições”. Para o ultraesquerdista do PSTU, não existe apenas uma única oposição no Maranhão.

Em contato com O Estado, Roberto Rocha classificou as afirmações dos adversários como “intriga”, mas ressaltou achar que isso “é do jogo” eleitoral e que os candidatos têm o direito democrático de propor o debate.

“É do jogo político esse tipo de intriga, mesmo quando, como é o caso, não tenha nenhum fundamento nos fatos”, declarou.

 De O Estado