As movimentações de Weverton rumo a disputa para o Governo do Estado

As movimentações*

Como já vinha sendo falado nos bastidores, o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), vai ter pela frente mais três anos e meio no comando da Casa. Além de mais um ano e meio do atual mandato, o comunista conseguiu mais dois em eleição consensual realizada ontem, em sessão extraordinária.

Apesar de Othelino falar que sua reeleição é fruto de união do parlamento, entendimento consensual entre os deputados e trabalho em prol do Maranhão, pesa na recondução do presidente da Assembleia uma disputa interna no grupo do governo Flávio Dino (PCdoB) que passa pelas eleições de 2020 (em São Luís, principalmente) e também pelo pleito de 2022.

E nessa disputa estão nomes como Neto Evangelista (DEM), Rubens Júnior (PCdoB), Osmar Filho (PDT), o próprio Othelino Neto e os espaços de poder em que cada um vem atuando e conquistando. Dos citados, todos fazem parte de um subgrupo governista: o de Weverton Rocha.

Do outro lado da disputa tem o vice-governador, Carlos Brandão (PRB), que já afirmou e reafirmou que disputará o Governo do Estado em 2022.

Pelos movimentos e articulações, por enquanto, o senador Weverton Rocha parece ter saído mais à frente. Assembleia, Câmara Municipal de São Luís, Prefeitura da capital e Famem são os espaços que o pedetista costurou e conquistou colocando seus aliados. Brandão, por enquanto, parece ter força no Palácio dos Leões e assim tenta ampliar para fora dos muros.

O fato é que 2020 será uma prévia do que deverá ocorrer dois anos depois.

*Da coluna Estado Maior, de O Estado do Maranhão

Brandão também tem registro impugnado no TRE

Carlos Brandão é o vice-governador do Maranhão

Além de ter impugnado o registro de candidatura do governador Flávio Dino (PCdoB), o deputado estadual Edilázio Júnior (PSD) também questionou na Justiça Eleitoral, a candidatura de Carlos Brandão (PRB).

O argumento foi o mesmo já apresentado pelo MDB em uma notícia de inelegibilidade encaminhada à Procuradoria Regional Eleitoral no Maranhão e já arquivada pelo procurador Pedro Henrique Castelo Branco.

A ação sustenta que Brandão não pode ser candidato a vice porque assumiu o posto de governador do Estado durante o período vedado – após o dia 7 de abril, quando Dino viajou aos Estados Unidos.

“No caso em apreço, o demandado CARLOS ORLEANS BRANDÃO JÚNIOR não preenche a condição legal para se candidatar ao cargo de Vice-Governador. Poderia se candidatar a Governador, mas jamais a Vice”, argumenta o parlamentar.

A ação será analisada pela Corte Eleitoral.

Crise também no PSDB

Castelo tenta alcançar espaço na sigla para a disputa de 2016

Castelo tenta alcançar espaço na sigla para a disputa de 2016

Embora os holofotes da mídia estejam voltados para a disputa interna pelo comando do PMDB, há um partido onde a crise se instalou bem antes, ainda no processo eleitoral maranhense de 2014.

Trata-se do PSDB, partido absolutamente subjugado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) – o mesmo que tenta controlar também os passos do PT e do próprio PMDB. Dino tem ascendência sobre o vice-governador Carlos Brandão, presidente da legenda no estado. O ninho tucano maranhense vive uma guerra interna, surda, mas intensa, exatamente para tentar se livrar das garras do dinismo.

O principal foco desta insatisfação diz respeito às eleições de São Luís e de Imperatriz, maiores colégios eleitorais do estado, onde o PSDB patina claramente no aspecto de candidaturas.

Carlos Brandão mantém partido nas mãos de Dino

Carlos Brandão mantém partido nas mãos de Dino

Na capital, apesar de ter um forte candidato, o deputado federal João Castelo, Brandão trabalha sob supervisão direta do comunista Márcio Jerry, lugar-tenente de Flávio Dino, que quer os tucanos alinhados ao projeto de Edivaldo Júnior (PDT). Em Imperatriz, nem candidato próprio o partido conseguiu viabilizar, e o prefeito Sebastião Madeira se vê obrigado a “engolir” nomes do PCdoB impostos por Dino e Cia.

Para se contrapor aos adversários internos, e tentar vender a imagem de um PSDB pujante, em crescimento, sempre que há questionamentos quanto ao futuro da legenda, Brandão dispara releases sobre filiações no interior. Mas são filiações impostas pelo próprio Flávio Dino, como as do ex-peemedebista Luis Fernando Silva, em Ribamar, e a da família Bringel, em Santa Inês, sem qualquer satisfação dada ao vice-governador.

Lideranças tucanas como o próprio João Castelo, Sebastião Madeira e o suplente de senador Pinto Itamaraty tentam convencer o PSDB nacional a intervir no Maranhão, garantindo as prerrogativas da legenda nas eleições de 2016 e apontando para rumos distintos ao do comunista Flávio Dino em 2018.

E Brandão vai ter que escolher de que lado ficará.

Da coluna Estado Maior, de O Estado do Maranhão

PSDB pode sair da eleição 2014 menor do que entrou…

Carlos Brandão conduziu o partido para uma aliança com Flávio Dino

Carlos Brandão conduziu o partido para uma aliança com Flávio Dino

O PSDB pode acabar menor após as eleições do mês de outubro. A sigla tem três deputados federais – mas que não retornam aos seus mandatos em 2015 -, e dispõe de apenas quatro candidaturas para a Câmara Federal.

O número é três vezes menor ao de candidaturas registradas Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão na eleição de 2010, quando o partido apresentou 13 nomes ao eleitorado.

Para esta eleição, o nome de maior peso político na disputada para a Câmara é o do ex-prefeito João Castelo, que apesar de desmotivado por ter tido candidatura vetada para o Senado, é um dos cotados para assumir cadeira no Legislativo.

Os outros três candidatos são o desembargador aposentado Raimundo Cutrim, a empresária Jamille Suzart e Joanice Frazão, natural da cidade de Pinheiro.

O número reduzido de candidaturas em 2014 vai de encontro justamente ao que pregava o presidente da legenda, deputado federal Carlos Brandão (PSDB), antes do período eleitoral ter se iniciado.

Até o início do mês de maio, por exemplo, quando a sigla ainda não havia decido que rumo seguir nas eleições, Brandão afirmava que a prioridade era aumentar a bancada do partido na Câmara. A expectativa do PSDB, segundo o parlamentar, era eleger pelo menos quatro deputados, o que ficou praticamente inviável após a consolidação de apenas quatro candidaturas.

Brandão aposta na eleição de Dino, o que o proporcionará assumir eventual mandato de vice-governador e na eleição de Roberto Rocha para o Senado, para que no futuro o primeiro suplente e amigo, Pinto Itamaraty, seja beneficiado. Se ambos não forem eleitos, no entanto, a tendência é de que aumente a crise no partido no Maranhão.