2016 agora

Eliziane Gama

Eliziane Gama deputada estadual

O resultado das eleições estaduais acabou por antecipar o debate sobre as municipais de 2016. O que gerou reações de vários prováveis atores do processo de daqui a dois anos.

Deputada federal mais votada no último dia 5, a ainda deputada estadual Eliziane Gama (PPS), por exemplo, fez questão de declarar-se candidata a prefeito “com ou sem apoio do governador eleito Flávio Dino (PCdoB)”.

A declaração, vista como açodamento até por aliados mais próximos da parlamentar, provocou uma crítica aberta do colega Neto Evangelista (PSDB), de que ainda está cedo para o debate sucessório em São Luís.

Neto Evangelista

Neto Evangelista deputado estadual

Mas o próprio Evangelista também já se movimenta como pré-candidato, e aposta suas fichas na vitória presidencial do tucano Aécio Neves para fortalecer seu cacife. Assustado com o desempenho de Eliziane, o prefeito Edivaldo Júnior também se movimentou: pretende ter audiência oficial com o futuro governador para definir uma agenda comum de ações em São Luís, na tentativa de salvar a própria gestão.

Enquanto Evangelista e Gama trabalham pela neutralidade de Dino em 2016, Edivaldo Júnior quer colar cada vez mais a própria imagem à dele, a fim de minimizar o desgaste pessoal até as eleições. E o fim do processo eleitoral no estado trouxe ao debate das eleições municipais também um fato novo do processo: a possível candidatura do ex-secretário Luis Fernando Silva (ainda no PMDB).

Presidente regional do PRB, o deputado federal Cléber Verde pretende fazer o convite oficial a Luis Fernando para que se filie ao partido e dispute a Prefeitura da capital maranhense. Como se vê, a movimentação pelas próximas eleições não deixa nem esfriar o debate do que se encerrou há menos de duas semanas.

Dois desafios para Edivaldo

Edivaldo precisa resolver ocupação da Rua Grande

Edivaldo precisa resolver ocupação da Rua Grande

A Prefeitura de São Luís está diante de dois desafios que, se não forem vencidos, colocarão a gestão do prefeito Edivaldo Júnior (PTC) numa situação muito delicada. O primeiro é ordenar o comércio informal na área central da cidade, em especial na Rua Grande. O segundo é colocar em prática um programa de emergência para renovar, pelo menos em parte, a frota de ônibus que faz o transporte de massa em São Luís.

O primeiro desafio é gigantesco e, de fato, de difícil superação. Motivados pela falta de uma política bem definida da ocupação do espaço público na região central de São Luís, milhares de ambulantes ocuparam as vias públicas daquela região da cidade, se estabeleceram e hoje se julgam proprietários dos “lotes” que mantêm. A ocupação “comercial” do centro de São Luís não foi devidamente planejada nem controlada. Durante várias administrações, a situação permaneceu como está, com uma única diferença: o número de ambulantes aumentou.

Agora, por meio da Blitz Urbana, a nova administração municipal pretende, pelo menos, ordenar o comércio informal, primeiro retirando os ambulantes das calçadas da Rua Grande. Já tentou duas vezes e não obteve sucesso. Ontem, uma comitiva de secretários, subsecretários, diretores, chefes e fiscais tentou realizar uma operação nesse sentido, mas foram simplesmente impedidos pela massa de ambulantes. De nada adiantaram as ponderações. Ficaram de retornar hoje, provavelmente com disposição para uma operação menos conciliadora. Será que vai dar certo? A julgar pelas experiências mais recentes, a probabilidade maior é a de não dar certo. O bom senso, porém, recomenda a torcida para que tudo se resolva sem a necessidade de medidas de força.

O segundo desafio é tão complexo como o primeiro, se bem que a Prefeitura municipal dispõe de instrumentos e meios de solucioná-lo sem maiores trauma, dependendo para tanto apenas da vontade política do prefeito Edivaldo Júnior. Trata-se de mudanças profundas no sistema de transporte coletivo de São Luís. Base do sistema, as empresas concessionárias de das linhas que formam a rede de atendimento ao público encontram-se numa situação delicada, mas também com poder de fogo para criar embaraços respeitáveis à gestão municipal.

Depois de algumas iniciativas nada produtivas, a Secretaria de Trânsito e Transporte anunciou uma ação de emergência para renovar, pelo menos em parte, a frota, que tem 40% dos veículos com mais de 10 anos, quando a Lei Orgânica Município proíbe o uso de coletivos com mais de sete anos no transporte de massa. As empresas reagiram dizendo que, primeiro, não têm recursos para investir em renovação, porque a própria Prefeitura poda-lhes o faturamento. E depois porque está anunciado para dezembro um novo processo de licitação das linhas, o que desestimula investimentos agora. Desenha-se aí um impasse, que poderá ser superado, mas que até nada mudará a situação complicada do sistema do qual dependem cerca de 500 mil pessoas todos os dias.

O fato é que o prefeito Edivaldo Júnior tem nas mãos duas “batatas quentes”, como diz o ditado popular. Recebeu-as de herança de gestões recentes, que não se preocuparam realmente em buscar soluções. Preferiram recorrer a medidas paliativas, mesmo conscientes de que mais cedo ou mais tarde as bolas de neve se transformariam em rolos compressores, capazes de esmagar tentativas de solução. É hora, portanto, da solução definitiva.

Editorial da edição de hoje de O Estado do Maranhão