A “pré-campanha” de Flávio Dino à Presidência e os números do Maranhão

O governador Flávio Dino (PCdoB) tem se lançado a um embate diário contra o presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) – de forma oportuna, mas muito inteligente, diga-se -, por tratar-se, evidentemente, de uma opção da esquerda para a disputa presidencial de 2022.

Ele tem criticado medidas do Governo Federal e sugerido ações nas mais diversas áreas, sobretudo na econômica, como necessárias para a retomada do crescimento do país.

Ocorre que Flávio Dino não tem conseguido dar um novo rumo ao Maranhão, como bem prometeu desde a campanha eleitoral de 2014, e tem se apoiado em campanhas publicitárias para vender lá fora um estado que não existe.

Ontem, o deputado estadual Adriano Sarney (PV) questionou a legitimidade de Dino de sugerir medidas econômicas para o país, uma vez que o Maranhão tem enfrentado regressão no setor. E para isso, apontou três dados principais: a queda brusca do PIB, o aumento da extrema pobreza e o aumento do desemprego no estado.

Foi certeiro.

As ações de um chefe de Executivo devem ser avaliadas com base em dados concretos, números que comprovadamente dão ao país um panorama real da situação do estado.

Em novembro do ano passado, relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou a queda do PIB no estado.

De acordo com o instituto, o PIB maranhense encolheu 5,6% em 2016 – depois de já haver recuado 4,1% em 2015. Nos dois anos, o estado registrou retração maior que a do Brasil, chegando a uma queda acumulada de 9,7%. Ou seja, quase 10% de queda do PIB.

No fim de 2018 levantamento da consultoria Tendências mostrou o aumento da extrema pobreza no Maranhão, com patamar que bateu recorde nacional. Os dados da consultoria Tendências confirmaram, na ocasião, o que já havia constatado relatório do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), divulgado em dezembro de 2017, e que apontava, na oportunidade, aumento da pobreza entre os anos de 2015 e 2016 no Maranhão em decorrência de um baixo desempenho do setor econômico local.

Esse ano o IBGE também mostrou o aumento do desemprego no Maranhão, realidade bem distante de outros 18 estados, que conseguiram elevar a oferta de emprego em todo o país.

São dados incontestáveis e que estão no calcanhar de Flávio Dino.

Apesar de a propaganda institucional do Palácio dos Leões, mostrar uma outra realidade. Um cenário tão somente virtual…

As movimentações de Weverton rumo a disputa para o Governo do Estado

As movimentações*

Como já vinha sendo falado nos bastidores, o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), vai ter pela frente mais três anos e meio no comando da Casa. Além de mais um ano e meio do atual mandato, o comunista conseguiu mais dois em eleição consensual realizada ontem, em sessão extraordinária.

Apesar de Othelino falar que sua reeleição é fruto de união do parlamento, entendimento consensual entre os deputados e trabalho em prol do Maranhão, pesa na recondução do presidente da Assembleia uma disputa interna no grupo do governo Flávio Dino (PCdoB) que passa pelas eleições de 2020 (em São Luís, principalmente) e também pelo pleito de 2022.

E nessa disputa estão nomes como Neto Evangelista (DEM), Rubens Júnior (PCdoB), Osmar Filho (PDT), o próprio Othelino Neto e os espaços de poder em que cada um vem atuando e conquistando. Dos citados, todos fazem parte de um subgrupo governista: o de Weverton Rocha.

Do outro lado da disputa tem o vice-governador, Carlos Brandão (PRB), que já afirmou e reafirmou que disputará o Governo do Estado em 2022.

Pelos movimentos e articulações, por enquanto, o senador Weverton Rocha parece ter saído mais à frente. Assembleia, Câmara Municipal de São Luís, Prefeitura da capital e Famem são os espaços que o pedetista costurou e conquistou colocando seus aliados. Brandão, por enquanto, parece ter força no Palácio dos Leões e assim tenta ampliar para fora dos muros.

O fato é que 2020 será uma prévia do que deverá ocorrer dois anos depois.

*Da coluna Estado Maior, de O Estado do Maranhão