Prefeitura realiza últimos testes operacionais para o Bilhete Único

ônibusA Prefeitura de São Luís, por meio as Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT), está realizando os últimos testes dos equipamentos embarcados do Bilhete Único, para iniciar na próxima segunda-feira (14) a operacionalização do sistema nas linhas urbanas da capital. O usuário poderá fazer quantas viagens quiser no intervalo de 1h30, com o pagamento de apenas uma passagem, desde que permaneça no mesmo sentido da via. Os testes estão sendo realizados inclusive para verificar a utilização do Bilhete Único também na rota de retorno das linhas que não mudam o sentido do itinerário, mesmo vindo em sentido contrário ao que o passageiro está.

O técnico da SMTT e organizador do sistema, Manoel Cruz, explica de que forma o passageiro vai poder fazer esse tipo de transbordo. “Por exemplo, se um passageiro que pega um ônibus na Vila Nova, tendo como destino o Porto do Itaqui, hoje, ele teria que ir ao Terminal de Integração da Praia Grande para embarcar em outra linha com destino ao Porto. Agora, com o Bilhete Único, ele não precisa mais ir ao terminal. Ele pode descer na Avenida dos Portugueses e pegar o ônibus que já saiu do terminal em direção ao Porto do Itaqui”, explicou.

Porém, ele esclarece que, para que o passageiro possa fazer esse tipo de transbordo, ele terá um tempo de 45 minutos para embarcar no veículo que está retornando.

Outro exemplo de itinerário que o passageiro pode utilizar o Bilhete Único para fazer essa modalidade de embarque no tempo de 45 minutos é também na rota Vila Nova/Jaracaty. “Atualmente, a pessoa precisa ir também ao Terminal da Praia Grande para pegar o Circular/Bandeira Tribuzi. Com o sistema Bilhete Único, ele poderá tomar embarcar no circular, no Anel Viário, sem precisar ir ao terminal, porque esse veículo está no mesmo sentido que o passageiro está viajando. Só que ele terá que fazer esse transbordo num tempo de até 45 minutos após o embarque”, esclareceu Manoel Cruz.

Os testes operacionais do sistema Bilhete Único estão sendo realizados nas linhas Vinhais/Ipase, Pedrinhas, Vila Nova/Calhau, Ipem/Turu, Coroadinho, Residencial Paraiso, Cidade Olímpica, Vila Esperança e Pão de Açúcar.

Bilhete Único – O sistema Bilhete Único, lançado pela Prefeitura de São Luís na semana passada, vai garantir maior economia de tempo e mais qualidade do transporte público da cidade, beneficiando estudantes, trabalhadores e aqueles que precisam se deslocar de ônibus para resolver demandas em menor tempo. Uma das principais vantagens do bilhete é a possibilidade de fazer a integração em qualquer ponto de ônibus, ou seja, sem a necessidade de ir aos terminais de integração da cidade.

O secretário municipal de Trânsito e Transportes, Canindé Barros, lembrou o planejamento para implantação do programa, que incluiu adaptações tecnológicas, aquisição de novos ônibus, adaptações e reformas à frota em atividade e adoção de melhorias com a Bilhetagem Eletrônica, Biometria Facial e GPS.

O pagamento da passagem será feito com os atuais cartões de vale-transporte ou de meia passagem. Caso não possua nenhum dos dois, o usuário poderá solicitar o cartão na sede do Sindicato das Empresas de Transportes (SET), no Centro. O Bilhete Único vai entrar em vigor na segunda-feira, podendo ser utilizado nos ônibus do sistema integrado que compõem a frota de coletivos na capital, beneficiando 760 mil usuários.

Coletivos: sistema falido

Usuários enfrentam drama para ter acesso a ônibus no Terminal do São Cristóvão

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Símbolos do desrespeito aos direitos dos moradores da cidade e do descumprimento da lei na capital do estado, os ônibus urbanos representam a decadência do transporte público de São Luís, consequência do desmantelo das administrações do Município nas últimas décadas. De acordo com a Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT), quase 40% dos coletivos têm mais de 10 anos, infringindo assim as próprias leis municipais.

De acordo com o artigo 209, da Lei Orgânica do Município, e com a Lei Municipal nº 3430/1996, que dispõem sobre o serviço de transporte público coletivo, as empresas permissionárias ou concessionárias são obrigadas a renovar suas frotas a cada sete anos.

Atualmente, existem 1.203 ônibus circulando por São Luís para atender 740 mil pessoas em 174 linhas urbanas. São 114 veículos com 10 e 12 anos e 308 com mais de 13 anos mantidos pelas empresas de ônibus. Dois ônibus da empresa Gonçalves têm 18 anos. As viações Mouraújo e Pericumã mantêm a serviço da população veículos com até 17 anos de uso.

Passar por um ônibus quebrado em alguma das principais avenidas da Ilha tornou-se algo corriqueiro. Além da lentidão das viagens causada pelo desgaste mecânico dos coletivos e dos engarrafamentos, os usuários do transporte público sofrem com a falta de preparo, com a irresponsabilidade de motoristas e com a insuficiência de ônibus nas ruas, enquanto as empresas se defendem dizendo que é impossível investir devido aos gastos elevados para manter o serviço.

Há muito tempo o sucateamento da maior parte da frota de ônibus que circulam pelas ruas de São Luís sustentando o sistema de transporte público tem sido insistentemente denunciado por jornais, em debates públicos sobre mobilidade, nas averiguações do Ministério Público Estadual e nas manifestações populares. Na segunda-feira, a Prefeitura de São Luís iniciou uma vistoria para avaliar a qualidade da frota de ônibus. O trabalho vai continuar até dezembro, acompanhando a promessa da abertura de um processo de licitatório para contratar novos serviços de transporte para a capital maranhense.

Não espanta a impaciência da população, que foi às ruas no último mês para manifestar pela melhoria das condições de mobilidade na capital de São Luís. A solução emergencial – e paliativa – encontrada pela Prefeitura de São Luís foi determinar um prazo de 120 dias (quatro meses) para que as empresas de ônibus tirem de circulação primeiramente os ônibus com mais de 13 anos de circulação, para, em seguida, retirar aqueles que têm mais de 11 anos.

Com a vistoria, que vai se estender a todos os coletivos da capital, a Prefeitura de São Luís promete travar as catracas dos veículos que não atenderem às condições mínimas de circular, sendo avaliados critérios como segurança, higiene, conservação, funcionamento, documentação e licenciamento. Questionar a morosidade da administração pública para iniciar uma avaliação da qualidade dos ônibus – quando não falta mais nenhuma prova para perceber a falência do sistema de transporte público – parece perda de tempo, principalmente se, após, vem a indagação: depois da fiscalização de cada ônibus pela SMTT, restará algum a serviço para a população de São Luís?

Editorial de O Estado do Maranhão